A derrota de Katia Abreu

04.06.2018
008D18B1-05E0-4EEA-9A25-9ED3762857D8A senadora Katia Abreu (PTB), era a grande favorita para ganhar a eleição para governador do Tocantins, Estado que teve eleição suplementar ontem, já que o Governador Marcelo Miranda foi cassado.
Katia liderava todas as pesquisas de intenção de votos, figura conhecida nacionalmente, já foi Ministra da Agricultura, Deputada Federal e Presidente da CNA. Atualmente é senadora.
Foi eleita pelo DEM, acabou pulando de partido em partido, até se alinhar com Dilma. Pois bem, tudo ia tranquilo na campanha de Katia até ela postar um vídeo de Gleisi Hoffmann lendo uma carta de Lula em apoio a sua candidatura.
A campanha entrou em parafuso, a peça de publicidade se transformou em objeto de campanha para os adversários. Katia Abreu ficou em quarto lugar.
A população de Tocantins não aceitou um presidiário interferindo na eleição. O tiro saiu errado.

A cidade que se rende

03.06.2018

O que aconteceu ontem em Natal vai ficar marcado na história como uma cidade se rendeu amedrontada para a criminalidade. Pela manhã começou a circular nas redes sociais um suposto comunicado de uma facção criminosa, dizendo que era para queimar ônibus, prédios públicos e ameaçando os agentes de segurança.

Depois ganhou força uma história que estava acontecendo um confronto em Alcaçuz, com a morte de um detento. Na verdade, no mesmo horário acontecia um casamento coletivo de vários detentos no presídio, um clima bem diferente das fakes news propagadas.

Em Parnamirim um policial reagiu a um assalto e infelizmente morreu. Já em Natal por volta das 14h um ônibus da empresa Guanabara foi incendiado por criminosos. Pronto, começou todo o enredo para que a cidade entrasse em pânico.

Imediatamente a empresa Guanabara recolheu seus ônibus, foi seguida pelas demais empresas. A população ficou sem transporte, as paradas cheias à espera de um ônibus que não chegava e nem iria chegar.

Tomei o cuidado de circular pela cidade. Fui de Ponta Negra a Redinha pela Hermes da Fonseca, voltei pela Prudente de Morais, fui no Natal Shopping e depois no Nordestão, não encontrei uma única viatura da polícia. Também não vi a Guarda Municipal. Nem os famigerados amarelinhos.

Não sei o que a polícia estava fazendo. Defendo todos os dias no meu programa, ao lado de Jener, a polícia e seu atuação. Porque sei das dificuldades enfrentadas pelos policiais. Mas ontem faltou polícia, faltou comando. Não vi um oficial se pronunciar e dizer o que estava fazendo para assegurar a segurança para a população.

Também não teve mobilização da Guarda Municipal para fazer escolta dos ônibus. Proporcionar uma frota mínima circulando, teve gente sem dinheiro no bolso que levou cinco horas para chegar em casa, atravessou a ponte andando.

A cidade estava vazia, inclusive de autoridades da segurança pública. E a população entrou em pânico, o mundo estava acabando pelo WhatsApp, com apenas uma imagem de um ônibus incendiado. Entretanto tinha gente falando em dois, três ônibus, sem imagem, sem fogo, sem responsabilidade com a notícia.

Não apareceu uma voz para acalentar a população. Apenas comunicados da STTU e do Seturn. Natal se curvou a um incêndio de um ônibus, talvez tenha se curvado as “notícias” alarmistas das redes sociais. Essa é uma história triste. O medo não pode vencer.

Tem que ter reação, inclusive um plano de emergencial para casos semelhantes, porque ontem não foi a primeira vez que aconteceu esse tipo de ameaça. População, empresas, polícias, guardas não podem se curvar ao crime.