Ex-deputado federal, ex-presidente da Camara, ex-Presidente da República em substituição, Henrique Eduardo Alves leva um vida confortável e quase monástica em Natal com muitas idas à Catedral para orações diárias.
Mas, Henrique, talvez por ter visto o pai, Aluízio Alves, cassado e fazendo política na clandestinidade, exerce uma feérica atividade nos bastidores, devendo ser o responsável por algumas vitórias nas eleições municipais de 2020.
Porém, essas pequenas incursões de Henrique aguçam as lupas do Ministério Público Federal, assim como a visibilidade dos cargos nacionais que ocupou despertou a ira da LavaJato.
Henrique talvez deseje se comparar a Aluízio, cassado injustamente, e que ao tentar retornar ao governo do RN acabou com uma derrota de 107 mil votos de maioria para José Agripino.
Todavia, Aluízio logo se tornou ministro de Estado por força de amizade pessoal com Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e José Sarney.
Habilidoso, Aluízio deixou Henrique como seu herdeiro político. Em
algumas oportunidades, Henrique até dividiu o feudo herdado com seu primo Garibaldi Filho e até com seu tio Agnelo, mas sempre foi o único “herdeiro”.
O MPF acaba de voltar suas garras para Henrique e seu parceiro no Poder, Eduardo Cunha. Assim como Henrique, Cunha foi preso. O líder da tríade, ex-presidente Michel Temer, também passou uns dias no xadrez.
Por fim, Henrique, com 71 anos, já pode ser beneficiado por redução de pena e de prazo prescricional (cai pela metade) nas ações criminais em que figure como acusado. É um refresco legal concedido aos idosos.