Por Adelino Marinho, empresário, proprietário da Mercatto:
No dia 20 de Março deste ano o governo estadual emitiu uma determinação obrigando comercio, indústria e serviços a baixarem suas portas e paralisarem suas atividades em nome da precaução e segurança da saúde dos potiguares. Em efeito manada seguindo decisões de colegas de outros Estados nosso executivo estadual achou a aquela época que também seria o nosso momento. Não vou aqui discorrer a respeito da necessidade, o fato já foi consumado, certo ou não, já sabemos de seus efeitos, na saúde e na economia, não sabemos se o pico já veio ou quando virá, se o pior da pandemia se foi ou se o vírus está na próxima esquina. Como cidadão e empresário local faço minha parte pela não propagação do vírus seguindo as recomendações da OMS e obrigações governamentais, mas outro fato prático também me aflige: quando e como reiniciaremos a retomada da economia?
Para paralisar basta um decreto, para reabrir é necessário planejamento.
Nunca imaginávamos que seria preciso tanto tempo para enfrentarmos as consequências da pandemia e quanto mais tempo a economia estiver paralisada piores serão as consequências econômicas da mesma. Já são dezenas de milhares de desempregados pelo Estado pós-paralisação, inúmeras empresas que não irão reabrir mais, arrecadação de impostos que desabou e um Estado prostrado que não terá forças para socorrer seus súditos. Para retomarmos a economia precisamos de um plano, prazos e regras claras. Não se investe em terreno pantanoso. O governo não reabrirá a economia por decreto. As empresas que demitiram terão que recontratar, treinar, comprar novos estoques, conseguir capital de giro , ter prazos para pagar tributos atrasados já negociados com o Estado. São inúmeras situações que se não forem discutidas agora não trarão o interesse na reabertura para muitos. O governo não tem a obrigação de saber como se opera um negócio, um comercio, uma indústria, uma clínica, mas tem a obrigação de nos perguntar como e o que é preciso para reabrimos de forma organizada e que atraia de forma segura os consumidores novamente. Em alguns Estados a economia começou a ser reaberta, porém de forma desordenada, sem planejamento e os resultados foram catastróficos, não queremos que o mesmo se repita por aqui . Precisamos de um plano, e não o temos.