Por Ciro Marques
Nesta pandemia, me vi obrigado a comprar um computador novo para o trabalho homeoffice e isso me mostrou que o Brasil não está preparado para viver de compras pela internet. Mostrou também que a concorrência com as pequenas empresas, mais céleres, é fundamental para regular as grandes redes e evitar que elas façam o que quiserem com os consumidores.
Em junho, após muita pesquisa, comprei um PC nas Americanas. Depois de duas semanas, o pedido nem mesmo tinha sido faturado (a nota fiscal não havia nem sido emitida). Pedi o cancelamento, mas eles ignoraram por TODOS os meios de comunicação disponíveis - telefone, online, e-mail e até no ReclameAqui. Só depois de 20 dias, devolveram meu dinheiro.
Parti para uma compra em outra gigante das vendas pela internet: a Amazon. Talvez, a mais honesta até aqui. Comprei por meio de um parceiro da loja e, depois de 3 dias, o próprio site Amazon me mandou um e-mail dizendo que o produto estava atrasado, porque o parceiro ainda não havia respondido, e questionou seu queria cancelá-lo ou aceitaria o atraso. Cancelei. Me devolveram o dinheiro no dia seguinte.
Fui então para o Magazine Luiza, a principal loja brasileira de vendas pela internet. Comprei o PC e marquei a opção "retirar na loja", com prazo de dois dias úteis. Mas fui obrigado a esperar uma semana (problemas na entrega, que jamais dizem quais, especificamente). Para retirar, uma fila de meia hora na porta da loja física.Consegui, mas depois de dois meses para receber um produto, ficou a constatação: com as limitações de funcionamento das pequenas lojas e a total liberdade as grandes, o consumidor continua passando por situações como essa para receber pelo que pagou. As vendas dessas gigantes nunca estiveram tão altas, sustentadas no desrespeito ao consumidor. Uma tristeza.