É hora de receber a família da namorada em Tibau. A casa ainda é de taipa, meia parede, apesar de quatro quartos só um banheiro, que fica ao lado da sala de jantar.
Os agrados são grandes, uma família querendo impressionar a outra, todo mundo cheio de pernas, sorrisos e alfinetadas.
Seu pai olha para sua sogra e comenta com você: “Sua namorada vai ficar assim quando ficar velha”. Chega deu um frio na barriga, seria decepcionante.
A convivência no segundo dia já é insuportável, na noite anterior, na hora do jantar, seu sogro vai ao banheiro com dor de barriga. Todos sentados à mesa (em Tibau não tem mesa posta) quando começam o som de jatos vindo do banheiro (lembrando que a casa é meia parede). O silêncio é constrangedor, todos calados a escutar a dor de barriga do pai de sua amada. A sopa servida, perderam a fome. O velho sai do banheiro e todos olham para ele.
Seu cunhado de 7 anos tem uma dor de ouvido, chora a noite toda. Ninguém consegue dormir. Ainda é sábado e eles só vão embora no domingo. É uma eternidade.
Seu irmão toma um porre constrangedor, resolve falar umas “verdades”. O glamour da família desce pelo ralo. Sua mãe manda seu irmão calar a boca. Começa uma discussão e o barraco é gigante.
Aquele final de semana programado com tanto gosto para juntar as famílias foi um desastre. Ninguém aguenta mais olhar para cara de ninguém. O domingo não chega nunca. Sua princesinha chora, você fica derretido tentando enxugar as lágrimas.