Texto Gabriel Negreiros
Em aproximadamente 30 dias tivemos pelo menos 8 trabalhos listados como “o melhor do Brasil”. Uma paranoia baseada no “melhor time de todos os tempos da última semana”. Fernando Diniz, do São Paulo, chegou à liderança e a sua saída de bola era só elogios. Pelo menos até ser eliminado por Renato Gaúcho, que com uma retranca e o antijogo ganhou rasgadas palestras sobre ser o melhor do Brasil nos últimos anos. Não demorou para que o técnico do Palmeiras, por golear o River Plate, se transformasse no mais aplaudido. Só durou uma semana, até levar pedrada por não jogar nada e quase ser eliminado no jogo seguinte. Nesse meio tempo, Cuca, do Santos, virou o rei por levar o Santos à final da Libertadores eliminando o Boca Juniors. Esse pequeno intervalo da Libertadores mudou o foco e Fernando Diniz já é achincalhado por todos e, agora, Abel Braga, que era o mais malhado entre toda imprensa ocupa lugar de destaque e ninguém mais fala do clube do vinho. O “Foi lindo, cara” agora tem conotação positiva. Correndo por fora, Vagner Mancini, por meio da sorte, fez o Corinthians ganhar uns cinco ou seis jogos. Já falavam em manutenção do trabalho, projetar um novo ano. Duas derrotas seguidas e querem a cabeça de Mancini. Não falei de Sampaoli, que é sempre gênio, mas que não consegue fazer o time jogar e entre uma semana ou outra pedem sua demissão, de acordo com o resultado anterior. Não podemos esquecer de Rogério Ceni, que saiu do Fortaleza como gênio e pronto para assumir a seleção do Flamengo e até a seleção que era de Tite e hoje não passa de um burro sem sorte.
De fato, é muito fácil ser comentarista esportivo. Pelo menos nesse estilo em que a verdade absoluta muda a cada rodada. Rema-se de acordo com a maré e a opinião não precisa de nenhum tipo de comprometimento. Já pensou se os comentaristas fossem cobrados pelas falhas e absurdos que comentam da mesma forma que cobram dos técnicos e diretorias dos clubes? Sobrariam poucos.