Em tempos de mesas postas, tudo decorado com assinatura de arquitetas, receber parentes do interior pode ser um choque de culturas.
Toda casa com um mínimo de bom gosto tem que ter papel higiênico decorado, o mais famoso é o temático de Natal, com Papai Noel desenhado. Uma amiga interiorana foi a uma residência de amigos e em vez de usar o papel colocou um pedaço na bolsa para lembrar como recordação.
Foi-se o tempo que casa de praia era o refugo da residência da capital. Quem nasceu em Mossoró é acostumado em tomar banho de bica, jamais saberia usar uma torneira com misturador. Somos do tempo do bidé, até ducha higiênica é coisa nova.
Receber parentes do interior sem uma rede é quase um sacrilégio. Eles chegam aos montes, se tiverem nascido em Caicó de presente trazem uma manta de carne de sol, um pedaço grande de queijo de coalho e biscoitos.
Não existe mais aquelas casas de praia sem forro que temos que bater as camas, porque cai areia das telhas. Banheiro sem box, com cortinas, que fica tudo molhado. Imagino o choque de cultura de chagar em uma casa sem meia parede, que a gente podia escutar a conversa do quarto vizinho. Era muito melhor.
Trocaram o alpendre pela varanda, o quintal (oitão) pelo jardim decorado. O cal pela tinta, a casa de taipa (lembrei de Tibau) pelo tijolo. Não podemos mais entrar molhado, corre o risco de escorregar no mármore.