Como vocês talvez já tenham visto em blogs de esquerda, fui condenado a 8 meses e 27 dias em um processo resultante de uma postagem aqui do Blog sobre o diretor-presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (Fapern), Gilton Sampaio de Souza.
Contudo, muito mais do que a polêmica que se tenta levantar em colocar que fui condenado "a prisão" e depois, no mesmo texto, explicar que não serei preso (foi a detenção, revertida em prestação de serviços, e o processo cabe recurso), uma decisão judicial como essa deixa uma mistura de muita tristeza e honra.
Tristeza porque não existe aquele que goste de receber uma condenação assim, principalmente por ser completamente injusta. Apesar de que sei, também, que não há brasileiro nos tempos atuais que não enfrente algo do tipo ao se prestar a esse papel combativo, desempenhando meu papel social. Inclusive, com a cabeça mais erguida do que quem assina uma sentença assim.
E a honra vem, justamente, disso. Saber que fui condenado no mesmo país que anulou as sentenças contra o ex-presidiário Lula - isso é elogiado nos mesmos veículos que estão destacando a ação contra mim. Ou num estado que, na mesma semana, reduziu a fiança de um sujeito que deu 10 tiros contra duas crianças. Aqueles que defendem essa cambada são os mesmos que me criticam.
A decisão, sem dúvida, indigna e surpreende, mas não me deixa menos honrado de saber que, se tudo isso aí é o certo, é bom está no caminho oposto.
Por isso, deixo claro, não vão me calar. Até porque sei que, lá na frente, nos recursos, confio na justiça e vamos reveter a decisão. Como em vários processos, não são poucos, e ganhamos todos.
Entendo o jogo, mesmo porque sou processado por governadora, dois senadores, um chefe de fundação e um procurador da república. Então, sei da força política, da pressão e de como funciona o submundo dos corredores.
Acaba fazendo parte do meu trabalho. A outra opção que tenho é calar, entrar no jogo e agradar. Isso não vou fazer.
Vida que segue.