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Guedes se defende de acusação sobre offshore e ironiza deputados

O ministro da Economia, Paulo Guedes, rebateu nesta 3ª feira (23.nov.2021) as acusações de deputados de que tenha tomado decisões na política econômica brasileira para se beneficiar com sua offshore. Congressistas citaram e a retirada da taxação de recursos em paraísos fiscais do texto da reforma tributária.

O ministro afirmou que a proposta que ele apresentou da reforma do IR (Imposto de Renda) tinha o imposto sobre offshores, mas o texto original não avançou no Congresso. “Aparentemente os banqueiros e brasileiros com offshores lá fora tinham amigos por aqui”, disse.

O ministro é dono da empresa Dreadnoughts, criada em setembro de 2014. Foi declarada à Receita. Segundo registros obtidos pelo Poder360, havia US$ 9,5 milhões (cerca de R$ 54 milhões) na empresa até agosto de 2015.

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) questionou sobre o papel dos familiares do ministro na empresa, das quais são sócios. Guedes defendeu que sua offshore é legal, assim como a permanência de sua mulher e filha na empresa.

“Todos os dados foram entregues, seja a minha saída ou a permanência de familiar como proprietário de recursos, que é absolutamente uma obviedade”, disse Guedes. “Os fundos são recursos que pertencem à família, é um patrimônio da família, foi colocado lá em 2014. Não tem nada a ver com a atuação como ministro.”

A declaração foi dada na Câmara dos Deputados. O ministro foi ao local prestar esclarecimentos sobre sua conta nas Ilhas Virgens Britânicas na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público.

A reportagem do Poder360 sobre a offshore de Paulo Guedes foi publicada em 3 de outubro de 2021 e pode ser lida aqui. Depois, o ministro divulgou um documento sobre sua saída do cargo de diretor da empresa nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 9 de outubro de 2021, o Poder360 publicou essa notícia listando uma série de perguntas não respondidas pelo titular da Economia.

O ministro também negou-se a entregar dados sobre a empresa em paraíso fiscal aos deputados. “Não sei [quanto tem lá], a Receita Federal sabe.” Guedes afirmou que as “instâncias pertinentes” têm todas as informações sobre sua empresa, disponibilizadas anualmente.

O ministro também admitiu que abriu a offshore para não pagar impostos. Segundo ele, foi uma forma de proteger o “patrimônio familiar”.

Guedes foi alvo de 3 convocações na Câmara. A da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço foi em 5 de outubro, 2 dias depois da publicação da reportagem. A da Comissão de Fiscalização Financeira foi em 6 de outubro.

Os requerimentos de convocação foram dos deputados Kim Kataguiri (DEM-SP) e Paulo Ramos (PDT-RJ). O ministro também foi convocado pelo plenário da Câmara em 6 de outubro.

Poder 360

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