Com a frustração de muitos caminhoneiros com o governo Jair Bolsonaro (PL) e o apoio dado em 2018, entidades que representam a categoria decidiram procurar os pré-candidatos à Presidência da República em 2022. Líderes caminhoneiros enviarão uma carta apresentando as demandas da categoria e pedindo que os políticos se posicionem sobre temas como o piso mínimo do frete e a Petrobras.
A carta que será enviada aos pré-candidatos ao Palácio do Planalto foi discutida neste sábado (11.dez.2021) em reunião realizada por líderes caminhoneiros no Rio Grande do Sul. O documento deve ser concluído ainda hoje, mas alguns líderes defendem que o conteúdo se torne público só depois de ser entregue aos pré-candidatos.
Todos os nomes que se apresentam para a corrida eleitoral de 2022 serão procurados pelos caminhoneiros. Além de Bolsonaro, devem concorrer o ex-presidente Lula, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania). Também estarão na disputa Luiz Felipe D’Ávila (Novo), Simone Tebet (MDB) e Cabo Daciolo (Brasil 35). Lula e Bolsonaro estão à frente nas pesquisas, como mostra o PoderData.
Na carta, os caminhoneiros querem abordar temas como piso mínimo de frete, jornada de trabalho, aposentadoria especial, pontos de parada, a política de preços da Petrobras e a privatização da petroleira.
“Falaremos da Petrobras como um todo, não só dos preços. É a maior empresa pública do país. Não tem como vender e ficar refém do mercado internacional”, disse o diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), Carlos Alberto Litti Dahmer.
“Pediremos que todos os possíveis candidatos declarem publicamente se apoiam ou não a pauta dos caminhoneiros porque, em 2018, Bolsonaro disse que apoiava e isso não deu em nada”, afirmou o deputado Nereu Crispim (PSL-RS), que é coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Caminhoneiro Autônomo e Celetista no Congresso Nacional.
Segundo o deputado, “os caminhoneiros representam 2 milhões de votos que podem ajudar a definir as eleições”.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) também receberá o documento. No entanto, parte da categoria se diz “traída” pelo chefe do Executivo. Bolsonaro declarou apoio aos caminhoneiros em 2018, mas alguns deles dizem que não houve avanço nas principais pautas da categoria ao longo do atual governo.
A alta dos combustíveis é uma das principais queixas dos caminhoneiros e foi motivo de diversas tentativas de greve ao longo do ano. No início de novembro, o governo recorreu à Justiça para barrar a greve dos caminhoneiros, pedindo a proibição de bloqueios em rodovias federais e multas para os grevistas.
“A maioria dos caminhoneiros fez campanha para Bolsonaro em 2018, mas o resultado produzido por esse governo foi só atraso. Ainda há quem defenda o governo, mas a categoria é muito pulverizada”, disse Litti. “Boa parte da categoria se descolou dele, não tem mais identificação”, afirmou Crispim.
Além de pedir apoio dos possíveis ocupantes do Palácio do Planalto, os caminhoneiros querem lançar candidatos próprios para o Legislativo. A ideia é ter pelo menos um candidato a deputado federal e um a deputado estadual em cada Estado para “marcar posição”, sobretudo na Câmara, que tem bancadas fortes como a do agronegócio e a dos evangélicos.
A posição política dos caminhoneiros será discutida ao longo de todo o ano eleitoral, por meio de reuniões que serão realizadas em Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Pernambuco. O próximo encontro da categoria será em fevereiro em Goiás.
Alguns nomes já despontam na corrida eleitoral. Nereu Crispim, por exemplo, concorrerá à reeleição como deputado federal. O presidente do CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), Plínio Dias, também quer concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Poder 360