Segue ferrenha briga judicial em relação a recuperação judicial do Armazém Pará, tudo por causa da distribuições de lucros que a empresa realizou para os sócios nos exercícios de 2015, 2016 e 2017. Fornecedores acusam a direção da empresa de provocar a crise, esvaziando os cofres, para depois bater as portas do judiciário para obter os benefícios da recuperação judicial, especialmente, os grandes descontos nas dívidas e a possibilidade de “segurar” o patrimônio imobiliário de R$ 70 milhões. A dívida da empresa é de R$ 52 milhões.
Tivemos acessos ao processo separamos alguns pontos da disputa:
1-A petição inicial do pedido de Recuperação Judicial afirma que a crise da empresa começou em 2014. Ocorre que já a partir do ano seguinte (2015), com a empresa em crise, distribuiu para os sócios a bagatela de R$ 22.805.734,65 a título de lucro. É o que consta nas DMPL’s juntadas pelos próprios advogados da empresa.
2- O problema não está em distribuir lucros, mas na mudança da política da empresa. Isto porque desde a década de 90 até o ano de 2014, praticamente, o grupo não distribuia lucros aos seus sócios e, quando decidiam distribuir algo, era parcela bem pequena. Nesses anos, até 2014, quando havia alguma distribuição, jamais era superior a R$ 1.000.000,00. O lucro era sempre reinvestido na empresa. Prova disso é que no ano de 2012, quando Rui Câmara e Daliana Perez deixaram a sociedade, havia mais de 20 milhões de reais em caixa, na conta reserva de lucros. Essa maneira de administrar era o pilar e grande segredo do Armazém Pará.
3- Ademais, a mudança da política de distribuição de lucros só ocorreu depois de 2014, quando a empresa já estava em crise.
4- Sabendo que a empresa passava por dificuldades, os sócios retiraram entre 2015 e 2017, R$ 22.805.734,65 a título de “lucros”, para em 2018 alegar dificuldades e bater as portas da justiça para obter os benefícios da Recuperação Judicial;
5- No mesmo período, em contrapartida as fortes distribuições de lucros, a empresa se endividou em cerca de 30 milhões de reais e, é essa dívida que justifica, hoje, a recuperação judicial do grupo.
6- Credores acusam a empresa de fabricar a crise para buscar os benefícios da recuperação judicial (os grandes descontos nas dívidas).
O Armazém Pará fechou a loja principal (prédio próprio) na Antônio Basílio e agora só tem a loja da Roberto Freire. Era uma potência até 2010 quando começou a briga interna.