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Eduardo Cunha vê “sabotagem” a Bolsonaro e diz que apoiaria presidente

Preso desde 2016 pela operação Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB) acusou a imprensa e Rodrigo Maia (DEM-RJ) de sabotarem o governo Bolsonaro e disse que, caso estivesse no poder, apoiaria o chefe do Executivo.

Cunha concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (13), sobre seu livro “Tchau, Querida: O Diário do Impeachment”, que será lançado pela Editora Matrix no próximo sábado (17).

O político fez críticas ao atual cenário político no Brasil e ressaltou que, apesar de “eventuais críticas pontuais”, daria sustentação ao presidente Jair Bolsonaro.

“Minha avaliação sobre Bolsonaro está de forma superficial, em cima de fatos concretos. Relato a sabotagem de Rodrigo Maia ao governo e o fato de que Bolsonaro sofre uma perseguição implacável de quase a totalidade da mídia”, afirmou.

“Quem elegeu Bolsonaro porque não queria a volta do PT tem a obrigação de dar a governabilidade a ele. Se estivesse no poder, eu o apoiaria, com eventuais críticas pontuais, mas sempre estaria na posição oposta ao PT”, declarou.

Cunha ainda comentou o cenário desenhado para as eleições presidenciais de 2022. Segundo ele, não há hipótese de uma 3ª candidatura tirar o protagonismo da disputa entre Bolsonaro e o PT, provavelmente representado pelo ex-presidente Lula.

“É preciso ter em conta que vivemos em uma dupla opção, entre o PT e o anti-PT. Nunca existiu 3ª via em todas as eleições desde 1989 e não existirá na próxima. Não vejo ninguém para isso. Entre Bolsonaro e o PT, não tenho a menor dúvida de ficar com Bolsonaro. Qualquer opção é melhor que a volta do PT”, disse.

Sobre o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, Cunha afirmou que guarda mágoas do ex-presidente Michel Temer (MDB). Também acusou o PSDB de traição.

“Eu relato no livro o papel de Temer com relação a mim, que não foi correto. Não poderia esperar nada diferente dele, pois sua personalidade é fraca. Leiam e tirem suas conclusões. Quanto ao PSDB, eles se aproveitavam da situação em todos os momentos. Eles me usaram no processo como bucha de canhão. É evidente que fui traído por alguns”, declarou.

“CARONA” NO PROCESSO DE LULA
Em março, Cunha apelou ao STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a declaração de suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que condenou o ex-presidente da Câmara à prisão, na Lava Jato. Leia a íntegra (3 MB) da petição.

O deputado cassado quer declarar a parcialidade de Moro em condenação que impôs a ele pena de 14 anos e 5 meses de prisão por suposta corrupção na aquisição de direitos de exploração de petróleo em Benin, na África, pela Petrobras. Cunha também foi condenado no caso por lavagem de dinheiro a partir da manutenção de conta bancária na Suíça.

Na petição, os advogados do ex-presidente da Câmara citam o seguinte diálogo de Moro com Deltan Dallagnol –então coordenador do grupo de procuradores de Curitiba: “Aquela denúncia da família Cunha vem esta semana?”. A pergunta seria de maio de 2016. Naquele ano, Cunha estava afastado do cargo de deputado, mas ainda tinha foro privilegiado junto ao Supremo.

No pedido de habeas corpus, a defesa de Cunha citou declarações do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes a respeito de excessos dos procuradores de Curitiba. O documento é assinado pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso, Francisco Agosti e Marcelo Neves.

Cunha está em prisão domiciliar. Foi autorizado a cumprir a pena em casa em razão da pandemia. A medida foi autorizada depois de a defesa do ex-deputado alegar que ele é idoso. Ficou internado em março de 2020 para tratamento no intestino.

Poder 360

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