Texto do publicitário Marcus Aragão:
É estranho como se tem noticiado Golpes. Alguns comemoram o 31 de março de 1964 e outros lamentam. Não preciso entrar neste mérito para que nenhum dos lados levantem a guarda contra meu artigo. Peço tanto aos que ficaram animados quanto aos temerosos que direcionemos os holofotes a nossa realidade pois a possibilidade de Golpe é nula.
Em 1964, estávamos em plena guerra fria onde o bloco capitalista disputava com o socialismo cada palmo desse planeta; Fidel tinha invadido Cuba em 1959; João Goulart tinha formado um governo de esquerda que passou a sofrer ataques da classe política conservadora, dos empresários, da igreja e da imprensa; Os EUA exerciam uma pressão forte nos países da América do Sul para implantar regimes militares que exorcizassem o comunismo. Para garantir o sucesso do golpe de Estado aqui no Brasil, os EUA desencadearam a operação Brother Sam que tinha objetivo de dar apoio logístico e militar ao golpe de 64. Foram enviados 100 toneladas de armas leves e munições, um porta-aviões, seis destróieres, um encouraçado, e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico. Todo esse aparato ficou aguardando próximo do RJ para só entrar em ação caso fosse necessário. Não precisou.
— Não existe conjuntura para um golpe de estado como o de 64. Nem os EUA, nem o mundo aceitariam. Enfrentaríamos sanções econômicas e para quem venderíamos nossas commodities? Viveríamos isolados? Uma Russia não conseguiríamos ser e uma Venezuela, Bolsonaro tem pavor. Então, esqueçamos o Golpe, taoquei? Agora, e o Gópi? Esse, sim, merece sua atenção.
Nossa liberdade foi cerceada? A produção está comprometida? Estamos vivendo sob decretos unilaterais? Existe repressão sobre trabalhadores inocentes? Toque de recolher?
— O Gópi taí. Vê quem quer.
Infelizmente nossa rotina de preocupações diárias não permite a reflexão necessária para ver a vida com clareza. Não nos damos conta do essencial pois estamos sempre pensando nas tarefas do dia a dia. Deixamos de viver intensamente quando perdemos momentos únicos como as "últimas vezes".
Lembra a última vez que seu filho te chamou para brincar ?
Para quem perdeu a mãe, se recorda da última vez que ela te ligou?
Qual foi a última vez que você saiu na adolescência?
Se você tivesse a consciência de quando ocorre uma “última vez”, sempre agiria diferente. Valorizaria o momento com a devida intensidade. Perceba que cada "última vez" tem um peso enorme. Tão grande ou maior que a "primeira vez".
Estamos com a economia em frangalhos e não é exagero pensarmos que existe um Gópi em curso. Esse momento que você lê pode ser a última vez que esta sendo chamado para fazer algo para ter de volta sua vida. Não deixe passar este chamado da história. Depois pode ser tarde.
Marcus Aragão
Instagram @aragao01