Rodrigo Otávio Cotait é um homem vaidoso. Nas redes sociais, gosta de exibir fotos com mulheres jovens e bonitas. Também é na internet que ele as agencia, as trata como mercadoria e, nas palavras dele, as exporta para o mundo todo. É ele quem, segundo a Polícia Federal, lidera um complexo esquema de exploração sexual. Na última terça-feira (27.abr), seis integrantes da quadrilha foram presos no Brasil, Espanha e Portugal durante a Operação Harém BR. O SBT News teve acesso com exclusividade à investigação.
A Polícia Federal de Sorocaba, interior de São Paulo, passou a monitorar o grupo ao receber, em 2017, a denúncia de uma jovem que foi enviada ao Qatar, no Oriente Médio, para se prostituir. A partir daí a trama comandada por Rodrigo passou a ser desenrolada. De acordo com a investigação, ele dizia ser dono de uma agência de modelos, mas na verdade coordenava uma rede de mulheres que mantinham relações sexuais com clientes no Brasil e no exterior. As fotos delas eram compartilhadas por aplicativos de mensagens e sites específicos, em um formato chamado pelos agentes federais de "broadcast" da prostituição.
Em janeiro de 2018, Rodrigo recebeu uma mensagem de um possível cliente interessado em contratar sete recepcionistas para um evento. A resposta foi que "o escopo da agência é o pós feira". Nos catálogos, as mulheres eram identificadas por códigos. Arquivos com imagens de mais de 300 jovens seminuas - as quais ele tratava como produtos cuja qualidade tinha de ser "testada primeiro por ele". Um dos requisitos para que elas entrassem no esquema era, segundo a investigação, manter relações sexuais também com Rodrigo.
Para aliciar meninas que não conhecia, o criminoso dizia ser proprietário de uma marca de maquiagens chamada Tommy G e, assim, se aproximava delas por mensagens diretas no aplicativo Instagram. Muitas dessas garotas nunca havia se prostituído e passavam por dificuldades financeiras - uma delas chegou a mandar uma foto com a geladeira vazia para o agenciador. Em uma das mensagens interceptadas, Rodrigo diz: "é o que eu mais faço. Perverter e chamar para o "job" mulheres novas. Eu tenho um monte de cliente que me passa a lista de desejos". "Job" é um eufemismo para os encontros sexuais.
Em outra mensagem, Rodrigo deixa claro ser misógino. "É o seguinte, a mulher tem três funções. Primeira, lógico, a mais importante: putaria, evidente. Segunda: 'ai Rô, não faço, não gosto de putaria', não tem problema, amor, você tem função ainda: você pode ser útil, me apresente suas amigas. 'Ai Rô, não tenho amiga'. Não tem problema, você vai ter uma função finalmente: por favor, vassoura e pano de chão tá ali, vamos limpar a casa né?", escreveu.
SBT News