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Governo não vê risco de greve, mas grupo de caminhoneiros diz que vai parar

O governo de Jair Bolsonaro avalia que não há risco de uma nova greve dos caminheiros. Calcula que a categoria já ameaçou parar outras 13 vezes, sem sucesso. Porém, a possibilidade não foi descartada nas estradas. Um grupo de caminhoneiros convoca uma paralisação para este domingo (25) e diz que pode ter adesão de 20 mil motoristas.

A paralisação foi convocada pelo Cntrc (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), o mesmo grupo que tentou fazer uma greve em fevereiro, mas não teve adesão da categoria à época. O movimento é contra a alta dos combustíveis e pelo cumprimento da tabela mínima do frete. Divide a categoria novamente, mas recentemente ganhou a adesão de grupos que eram contrários ao movimento.

A greve convocada pelo Cntrc tem apoio da Antb (Associação Nacional de Transporte no Brasil), da Cnttl (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística) e de caminhoneiros autônomos de regiões como Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Na Baixada Santista, também está prevista uma manifestação, a partir das 6h de segunda-feira (26), nas proximidades do Porto de Santos. Em Tabuleiro do Norte (CE), que é chamada de cidade dos caminhoneiros, alguns motoristas autônomos já estão parados.

O Movimento GBN (Galera da Boleia da Normatização Pró-Caminhoneiro), que era da base do governo de Jair Bolsonaro e não apoiou a greve em fevereiro, disse que também vai aderir, para pedir a constitucionalidade do piso mínimo do frete.

Um dos representantes do GBN, Joelmes Correia, disse que não sobrou outra alternativa a não ser brigar pelo diesel. Ele avalia que o DTE (Documento Eletrônico de Transporte), criado em maio dentro de um pacote que tentava agradar aos caminhoneiros, é prejudicial.

O presidente da Antb (Associação Nacional de Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci, disse que haverá protestos no domingo (25) e pontos de parada na segunda-feira (26).  Stringasci falou que as rodovias não serão bloqueadas. “O direito de ir e vir está garantido. Não vai fechar rodovia. No máximo, obstruir uma faixa para orientar a categoria”, afirmou.

“A paralisação dos caminhoneiros começa dia 25 em vários pontos do país. Inicialmente os caminhoneiros vão encostar seus caminhões em vários pontos do país, nos pátios de parada”, afirmou o presidente da Cntrc, Plínio Dias.

O Poder360 apurou que Plínio Dias tem pretensões políticas. Já foi candidato a vereador pelo PP em 2020 em São José dos Pinhais (PR). Teve 99 votos. Outro líder da categoria que está participando do movimento de paralisação é Carlos Alberto Litti, presidente da Cnttl. Também já foi candidato a vereador na cidade de Ijuí (RS), em 2012. Não foi eleito.

Por outro lado, são contra o movimento entidades como Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), Cnta (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) e Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores). A Abrava é presidida por Wallace Landim, o Chorão, que foi um dos líderes da greve realizada em 2018, no governo de Michel Temer.

Chorão disse que “a situação é pior que em 2018” e que “é importante a luta da categoria”. Porém, afirmou que “não quer levantar essa bandeira sozinho”. “Todos sofrem com a alta dos combustíveis. Então, vamos conversar com outros representantes de classe e outros segmentos para discutir o assunto e avaliar um movimento mais amplo”, afirmou.

Em nota, a Abrava reforçou que busca promover uma “paralisação mais ampla”.

O Ministério da Infraestrutura também não acredita que a greve vai vingar. Em nota, a pasta disse que a Cntrc não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo e que qualquer declaração feita em relação à categoria corresponde apenas à posição isolada de seus dirigentes.

Os caminhoneiros que convocam a paralisação reclamam do posicionamento do governo. Dizem que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, deixou de dialogar com os motoristas. O Poder360 apurou que ainda não houve reunião entre o Ministério da Infraestrutura e a categoria em 2021. A pretensão política de parte dos líderes dos caminhoneiros foi um dos motivos que fizeram Tarcísio cortar diálogo com uma parcela da categoria.

Parte dos caminhoneiros que ainda mantém diálogo com o ministro afirma que não é verdade que o ministro não busca atender aos anseios da categoria. Dão como exemplo o piso mínimo do frete rodoviário de carga, que foi reajustado recentemente pela Antt (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Como revelou o Poder360, também está sendo preparada no Ministério da Economia uma medida provisória que estabelece a renovação de frota do caminhoneiro autônomo. Será a 1ª vez que o caminhoneiro autônomo, pessoa física, será incluído na cadeia de financiamento de uma renovação de frota, condicionando a venda de um caminhão novo ou seminovo à retirada de circulação de um velho. Alguns caminhoneiros que apoiam a greve dizem, no entanto, que não querem caminhões usados.

Poder 360

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