Depois do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolher o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, as negociações para que o chefe do Executivo concorra à reeleição em 2022 pelo PP (Progressistas) se intensificaram. Contudo, não há consenso na sigla. Segundo a Folha de S. Paulo, o PP também articula a filiação de 2 ministros.
Possíveis intervenções de Bolsonaro preocupam líderes do partido, especialmente do Nordeste. “Estou tentando um partido que eu possa chamar de meu e possa, realmente, se for disputar a Presidência, ter o domínio do partido. Está difícil, quase impossível“, disse Bolsonaro nessa sexta-feira (23). “Então, o PP passa a ser uma possibilidade de filiação nossa“, completou.
Bolsonaro fez parte do PP de 2005 a 2016, quando era deputado federal. Segundo membros do partido, há cerca de 3 semanas, o presidente questionou Ciro sobre a possibilidade de filiar-se novamente. O senador sondou integrantes da sigla e verificou haver resistências.
O jornal cita o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL), como um dos opositores da ideia de Bolsonaro filiar-se à sigla. Ele diz acreditar que uma eventual derrota do PP na corrida eleitoral de 2022 poderia prejudicar a sua reeleição ao comando da Casa no ano seguinte.
Outro empecilho apontado por membros do partido é a possibilidade do retorno de Bolsonaro atrapalhar acordos estaduais para as eleições do ano que vem. Eles também acreditam que o presidente pode levar com ele aliados que disputarão cargos para os quais o PP já tem nomes consolidados.
De fato, espera-se que Bolsonaro não vá sozinho. Deputados aliados e os seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), devem acompanhá-lo.
O Estado que mais se incomodaria com a presença do chefe do Executivo seria a Bahia. O vice-governador João Leão (PP) é aliado do governador Rui Costa (PT). O PP baiano avalia que se Bolsonaro for para o partido, as alianças com o PT possam ser prejudicadas.
Apesar do partido não ter consenso sobre a filiação de Bolsonaro, os que concordam e os que discordam defendem que, se ele ingressar na sigla, terá de respeitar as regras vigentes.
Ciro Nogueira é o atual presidente do partido. Ele não pretende ceder o cargo, assim como os líderes dos diretórios estaduais.
Atualmente, o PP é um dos partidos mais fortes na Câmara, com 41 deputados federais. Já no Senado, a sigla ocupa 7 cadeiras.
Ciro também negocia a filiação de pelo menos 2 ministros de Bolsonaro: Fábio Faria (Comunicações), que hoje está no PSD, e Tereza Cristina (Agricultura), hoje no DEM. Ambos planejam disputar uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul, respectivamente.
Faria ainda é citado como possível candidato a vice na chapa de Bolsonaro.
Além do PP, o presidente negocia sua filiação com o DC (Democracia Cristã). Em live semanal, transmitida em suas contas oficiais nas redes sociais nessa quinta-feira (22.), ele afirmou que se reuniu com José Maria Eymael, presidente do DC.
“Não tenho partido ainda. Conversei com José Maria Eymael, um bate-papo. Ele está com 81 anos. Falou que pretende disputar a presidência pela última vez pelo PSDC. É um partido que não tem tempo de TV, não tem fundo partidário. Apenas conversei com ele. Estou conversando… não é fácil chegar a um acordo com partido, igual a um casamento”, disse.
As novas investidas do presidente acontecem depois que as negociações com o Patriota travaram. O presidente afastado do partido, Adilson Barroso, o maior entusiasta da filiação de Bolsonaro, afirmou que foi avisado por interlocutores do presidente que o chefe do Executivo não deve concorrer às eleições presidenciais de 2022 pela sigla.
Poder 360