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Brasil assume presidência do Mercosul em meio a crise do bloco

O Brasil assume a presidência pró-tempore do Mercosul (Mercado Comum do Sul) nesta quinta-feira (8). A passagem do comando do governo argentino para o brasileiro será feita em reunião virtual e ocorre em meio a discórdias entre os países sobre uma possível flexibilização do bloco.

Na última reunião do Conselho, realizada nessa quarta-feira (7), o Uruguai surpreendeu ao anunciar sua decisão de iniciar negociações de acordos comerciais com países de fora do bloco. Brasil e Paraguai são a favor, enquanto a Argentina é contra.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores uruguaio, a iniciativa não significa um rompimento com o Mercosul, do qual quer continuar membro.

Em reunião anterior, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, rebateu o posicionamento do presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. O uruguaio reclamou do protecionismo do bloco e da demora na tomada de decisões. Na ocasião, Fernández recomendou que quem não estiver feliz pode “abandonar o bloco”.

O grupo não consegue entrar em acordo em relação à redução da TEC (tarifa externa comum). A Argentina afirma ser necessário preservar o Mercosul e apoia uma redução gradual da taxa, que não deve ser aplicada para o setor industrial, pelo menos até janeiro. O país teme que uma redução radical poderia afetar a indústria da região.

Já Brasil, Uruguai e Paraguai querem uma redução maior. Para o governo brasileiro, o bloco não pode ser guiado por “questões ideológicas”. O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, afirmou em situações anteriores que o atual formato do Mercosul é uma “armadilha” que atrasa o Brasil.

Preocupado com o possível aceleramento do processo de flexibilização ao passar a Presidência para o Brasil, o embaixador da Argentina no país, Daniel Scioli, tem realizado reuniões com representantes do governo brasileiro nos últimos dias. “Estamos avançando na tentativa de preservar o Mercosul”, disse Scioli.

O embaixador encaminhou ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, pedidos da União Industrial Argentina para que o Brasil não avance em uma redução generalizada de todas as tarifas externas.

Por outro lado, o chanceler do Uruguai, Francisco Bustillo, defendeu o que ele chama de “modernização do Mercosul”.

“O Uruguai não pode apostar em um bloco autárquico. Mas não são negociações simples. A posição da Argentina é clara. Nos informa que não está a favor de uma flexibilização. Só que para nós é necessária uma maior inserção internacional. O Uruguai precisa disso”, disse.

Segundo Bustillo, a lentidão da UE (União Europeia) na resposta ao possível acordo com o bloco demonstra que “não há um real interesse deles neste tratado, portanto não podemos ficar parados esperando que isso se desenrole”.

Poder 360

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