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ARTIGO: Oremos pelo Afeganistão. Por Marcus Aragão

Ditadura sanguinária? Pânico na sociedade? Famílias destruídas? Bebês sendo separados das mães? Assassinatos nas ruas? Nada disso é suficiente para fazer com que as super potências ajudem o Afeganistão. Fome, miséria, terrorismo e pessoas caindo dos aviões em pleno vôo também não comovem os senhores da guerra.

Nenhuma narrativa parece que vale a pena ser criada para mobilizar os países para ajudar nossos irmãos afegãos. Nesse momento, o humanismo deveria ser maior que o patriotismo. O ser humano deveria valer mais do que o chão que nasce. Somos todos iguais e o mundo não deveria permitir este massacre da população e da democracia.

Não esqueçamos que o Talibã surgiu como um grupo armado na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão no final da década de 1980, período em que o Afeganistão estava sob ocupação soviética (1979-1989). Foi financiado pelos EUA para fazer resistência a URSS. Só que acabou a guerra e as armas ficaram, o treinamento militar não foi esquecido. Daí para querer o poder foi rápido, pois o pavio já estava aceso.

Se tivesse petróleo em abundância no Afeganistão, as super potências já teriam lançado coalizão para “restaurar a democracia” — narrativa sempre usada quando interessa à economia. Não tenhamos muita esperança que o terror termine, pois nunca vimos ajuda relevante aos países africanos. Barbáries sem fim sempre existiram devido a ditaduras que massacraram e roubaram os africanos e nunca ví o G20 mover um dedo, nem para fazer um tweet.

Esse comportamento cruel com os mais fracos é corriqueiro. Durante a Segunda Guerra diversos países não quiseram receber navios carregados de judeus que tinham fugido da Alemanha nazista — o Brasil foi um deles. Hoje em dia, mostrar-se solidário à um país rico e próspero como Israel é fácil, fácil.

O Afeganistão é pobre. O principal setor econômico do Afeganistão é o primário, baseado na agricultura de subsistência, principalmente na produção de gêneros alimentícios, como arroz, trigo, cevada e milho. Tem potencial para extração de lítio e outros minerais para exploração complexa — se fosse simples, já estaria sendo comercializada fortemente. Enfim, não tem petróleo, mas carrega um título surpreendente. É o maior produtor mundial de ópio, aquela planta da qual se produz a heroína. . Além de opiáceos, o Afeganistão também é o maior produtor de cannabis do mundo. Existem interesses ocultos? Não sei.

Sei que devemos orar pelo Afeganistão que com o recomeço das atrocidades cometidas pelo Talibã, acirrou a disputa pra sabermos qual religião matou e torturou mais em nome de Deus. 

Marcus Aragão
@aragao01

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