Em quase seis anos, Glaidson Acácio dos Santos, preso na semana passada, movimentou R$ 38 bilhões. Os dados de maio de 2015 a novembro de 2020 constam de documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citados no relatório do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), no qual a prisão foi pedida à Justiça Federal.
O procurador da República Douglas Santos Araújo e o delegado federal Guilhermo de Paula Machado Catramby afirmam que as cifras são impressionantes e que 44% do valor foram registrados nos últimos 12 meses.
O Relatório de Inteligência Financeira (RIF), ao qual O GLOBO teve acesso, aponta operações de Glaidson com pelo menos 8.976 pessoas — sendo 6.249 físicas e 2.727 pessoas jurídicas. Desde 2015, essa movimentação bilionária estava no radar da Polícia Federal, mas o cerco contra Glaidson se fechou em 28 de abril deste ano, quando foram apreendidos R$ 6,9 milhões em malas com os empresários Robermann Dias Guedes, José Augusto Mariano Fernandes e Helen Barbosa Pinto, que estavam prestes a embarcar em uma helicóptero fretado de Búzios para São Paulo.
Glaidson, de 38 anos, que até 2014 era garçom, foi preso na última quarta-feira (dia 25) em sua casa na Barra, acusado de montar um esquema de pirâmide financeira em que prometia ganhos de 10% ao mês ao investir em criptomoedas. A mulher dele, a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, que é considerada foragida e está na lista da Interpol para a extradição. A GAS atuava fortemente em Cabo Frio, na Região dos Lagos.
O Globo