Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgar em uma entrevista e em suas redes sociais na semana passada dados de investigação da Polícia Federal sobre a invasão ao sistema informático do Tribunal Superior (TSE) em 2018, a Corte pediu nesta segunda (9/8) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o investigue por vazamento de inquérito sigiloso, crime previsto no Artigo 153 do Código Penal.
O TSE apresentou uma notícia-crime contra o presidente da República para ser analisada no âmbito do inquérito das fake news, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Os ministros da Corte eleitoral pediram ainda que seja investigado pelo mesmo crime o deputado federal Filipe Barros (PSL), que foi relator da PEC do voto impresso na comissão especial da Câmara e acompanhou o presidente na apresentação das denúncias na última quarta-feira (4/8) à rádio Jovem Pan. Bolsonaro também postou a íntegra do inquérito em suas redes sociais.
A investigação da PF tornada pública pelo presidente ainda não foi concluída. Ela trata de uma invasão hacker ao sistema interno do TSE em 2018, na qual o invasor teria tido acesso até ao código fonte da urna eletrônica. Segundo o TSE, porém, o hacker não conseguiu alterar nada no sistema.
“Quem diz isso é o próprio TSE […], de que no período de novembro de 2018, o código fonte [das urnas] esteve na mão de um hacker. O código fonte estando na mão do hacker, ele pode tudo. Pode-se apertar 1 e sair o 3, pode-se apertar o 17 e sair nulo, pode-se alterar voto, fazer tudo”, declarou o presidente Bolsonaro na semana passada.
A revelação da invasão na intranet da Corte foi feita pelo site TecMundo, especializado em notícias de tecnologia, ainda em 2018, motivando a investigação da PF. O portal disse que recebeu mensagens de hackers narrando como conseguiram invadir sistemas internos da Corte. A reportagem, no entanto, não fala em invasão a urnas.
Metrópoles