O presidente Jair Bolsonaro discursou na abertura da 76ª edição da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta 3ª feira (21.set.2021). A declaração teve como foco a pandemia, o meio ambiente e o que chamou de “liberdades individuais”.
Parte do texto teve verniz moderado, claramente preparado pelo Ministério das Relações Exteriores, na qual Bolsonaro ressaltou o número de vacinados e as ações do governo federal para o desenvolvimento econômico e sustentável.
Outra parte recebeu o tom bolsonarista, com referência ao tratamento precoce sem eficácia comprovada, às manifestações pró-governo de 7 de Setembro e as críticas ao passaporte sanitário.
“Não entendemos porque muitos países juntamente com grande parte mídia se colocaram contra o tratamento inicial”, disse o chefe do Executivo brasileiro em Nova York. “A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, completou.
ITAMARATY SUGERIU MODERAÇÃO
O discurso elaborado pelo chanceler Carlos França e sua equipe propôs a Bolsonaro moderação frente aos líderes mundiais. A dúvida que pairava até minutos antes da declaração era se o presidente repetiria 2019 –quando destruiu o texto do Itamaraty e leu um rascunho escrito por Eduardo Bolsonaro e o assessor Filipe Martins.
Desta vez, Bolsonaro nem destruiu o discurso mais moderado nem seguiu à risca a sugestão da equipe do chanceler. Sua declaração contou com dados objetivos, mas diversas referências ideológicas e alfinetadas contra opositores.1
Conforme antecipou o Poder360, Bolsonaro citou o número de brasileiros vacinados contra a covid, afirmando que o país é exemplo mundial, e falou sobre o auxílio emergencial pago pelo governo. O chefe do Executivo. também disse que o Brasil combate o desmatamento.
AGENDA PRÉ-DISCURSO
Antes de falar aos chefes de Governo na ONU, Bolsonaro teve duas rápidas reuniões. No início da manhã desta 3ª, encontrou Andrzej Sebastian Duda, presidente ultraconservador da Polônia. Ele foi um dos líderes estrangeiros com quem Bolsonaro se encontrou no Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos. À época, o presidente brasileiro só reuniu-se com presidentes de ideologias políticas de extrema-direita. A chancelaria do país europeu publicou o encontro em sua página oficial no Twitter:
Minutos antes de assumir a tribuna da Assembleia, Bolsonaro encontrou, como é de praxe, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.
“NÃO VACINADO” E “CÉTICO”
Único líder do G20 não vacinado, Bolsonaro não pode entrar em bares e restaurantes de Nova York. Comeu pizza em pé, na rua, no domingo (19.set). Quebrou a regra sanitária ao tomar café da manhã na 2ª feira em área interna do Hotel InterContinental. Depois, almoçou em um puxadinho do restaurante Fogo de Chão na calçada.
Desde que chegou aos Estados Unidos, a mídia internacional se refere a Bolsonaro como “não vacinado” e “cético sobre vacinas”.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que está na comitiva brasileira, criticou em seu perfil no Twitter a imprensa norte-americana pela cobertura da participação de seu pai na assembleia. O congressista escreveu: “Nas paradas de sucesso também nos EUA: “a despeito das regras Presidente brasileiro não vacinado participa da assembléia [sic] geral da ONU”.
COMO MANDA A TRADIÇÃO
Desde 1947, o representante brasileiro é o 1º a falar na Assembleia Geral. Foi prêmio de consolação por não ter entrado no Conselho de Segurança. Este será o 3º discurso de Bolsonaro no evento desde a posse, em 2019.
Poder 360