Em palestra na CPAC 2021, conferência anual de ultraconservadores, nesta 6ª feira (3.set.2021), a deputada Bia Kicis (PSL-DF) disse que é necessário “mexer” na composição do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao acusar a corte de se opor ao voto impresso “por comodidade”, a congressista defendeu a eliminação do direito do tribunal de legislar.
“O TSE legisla, executa e julga”, disse, referindo às instruções normativas do tribunal como medidas que seriam de competência do Legislativo.
Kicis afirmou que a população quer eleição limpa e transparente e reiterou seu apoio ao voto impresso. Ela foi a autora da PEC (proposta de emenda à constituição) que previa a impressão do voto. Mas o texto foi rejeitado pelo plenário da Câmara dos Deputados.
A seu lado no palco da CPAC, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) afirmou que o presidente do TSE, Roberto Barroso, valeu-se de fake news ao defender a inviolabilidade das urnas eletrônicas e a segurança da votação contra hackers e fraudadores.
Barros, porém, tropeçou ao argumentar que é “uma mentira” a alegação de Barroso de que as urnas não estão conectadas à internet.
“De fato, não está. Mas o computador em que o software do TSE foi construído está conectado”, disse, sem entrar em detalhes. “Barroso diz meias verdades”, completou.
À plateia ultraconservadora, Barros citou como mentiras do TSE os argumentos de que as urnas são invioláveis, que o voto eletrônico não pode ser adulterado e de que o processo removeu a interferência humana.
“As urnas são, sim, vulneráveis”, disse Kicis. “A impressão do voto é apenas para a segurança. Não é retrocesso.”
O evento reúne cerca de 500 pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A maioria não usava máscara de proteção e álcool em gel. Além de aglomerações no auditório, os participantes se aproximaram, especialmente, de celebridades da ultradireita para tirar selfies, como ex-integrantes do governo Bolsonaro, autores de livros, influenciadores e expoentes dos canais ideológicos nas redes sociais.
Poder 360