O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou, nesta quarta-feira (8), que a Casa legislativa é o “motor de pacificação” para as discordâncias entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) e que a Constituição brasileira “jamais será rasgada”.
“A Câmara dos Deputados apresenta-se hoje como motor de pacificação. Na discórdia, todos perdem, mas o Brasil e a nossa história tem ainda mais o que perder. Nosso país foi construído com união e solidariedade e não há receita para superar a grave crise socioeconômica sem estes elementos”, disse Lira, em pronunciamento quase 24 horas após discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante os atos no 7 de Setembro.
“Foi isso que inspirou [Oscar] Niemeyer e Lúcio Costa, quando imaginaram a Praça dos Três Poderes: colocaram o Executivo, o Judiciário e o Legislativo no meio. Equidistantes – mas vizinhos e próximos suficientes para que hoje a gente possa se apresentar como uma ponte de pacificação entre Judiciário e Executivo. E é este papel que queremos desempenhar agora. A Câmara dos Deputados está aberta a conversas e negociações para serenarmos.”
Ele relembrou também a atuação dos deputados durante a pandemia de Covid-19, com aprovação do auxílio emergencial e de leis que facilitaram o acesso à vacinação. Destacou, ainda, o avanço das reformas no Legislativo e, em sua conclusão, defendeu a Carta Magna do país e o compromisso com a realização das eleições gerais no próximo ano.
“Vale lembrar que temos a nossa Constituição, que jamais será rasgada. O único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022. Com as urnas eletrônicas”, afirmou o presidente da Câmara dos Deputados.
“São nas cabines eleitorais, com sigilo e segurança, que o povo expressa sua soberania. Que até lá tenhamos todos, serenidade e respeito às leis, à ordem e, principalmente, à terra que todos nós amamos.”
Críticas ao radicalismo
Lira abriu seu pronunciamento nesta quarta-feira (8) dizendo não haver mais espaço para “radicalismo e excessos” no país.
“Diante dos acontecimentos de ontem [terça-feira], quando abrimos as comemorações como 200 anos de nação livre, independente, não vejo como possamos ter ainda mais espaço para radicalismo e excessos”, disse o presidente da Câmara, justificando não ter se manifestado antes para não ser “contaminado pelo calor do ambiente já por demais aquecido”.
O presidente da Câmara destacou que cada um dos Três Poderes têm suas delimitações, seus raios de atuação, que definem o respeito e a harmonia entre si. “Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas – como a do voto impresso. Uma vez definida, vira-se a página”, afirmou.
Ele também prometeu conversar com membros do Executivo, do Judiciário e do próprio Legislativo para dar fim ao que chamou de “infinito looping negativo”.
“Bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade. O Brasil que vê a gasolina chegar a R$ 7 reais, o dólar valorizado em excesso e a redução de expectativas. Uma crise que, infelizmente, é superdimensionada pelas redes sociais, que apesar de amplificar a democracia estimula incitações e excessos.”
CNN Brasil