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Quem é Pezão? Irreverente, carismático e espontâneo: conheça a sua trajetória
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Quem é Pezão? Irreverente, carismático e espontâneo: conheça a sua trajetória

Ajudante de padaria, vendedor de banana em feira, dono de circo, auxiliar de cozinha em restaurante, tudo isso durante a infância, em Pendências, região salineira do Rio Grande do Norte. A história de Wbiranilton Pezão se confunde com a de milhões de brasileiros. Filho de uma família humilde, ainda cedo, teve que conciliar os estudos com o trabalho para ajudar em casa. O que poderia ter se tornado uma trajetória como a de muitos teve um desfecho diferente. Tudo isso por causa da sua mentalidade empreendedora.

Inspirado pela mãe, que usava a criatividade para colocar comida na mesa, Pezão se mudou com os seis irmãos e os pais em 1984 para Natal, procurando uma melhor qualidade de vida e mais oportunidades de trabalho. A família fixou residência no bairro de Felipe Camarão, e ele passou a trabalhar na padaria do tio. 

Com uma jornada que se iniciava às 2h30 da manhã, Pezão conseguia administrar com dificuldades a carga intensa. “Era uma rotina muito pesada. Eu chegava em casa às 21h, porque saia da padaria e ia direto para a aula. Isso tudo com apenas 13 anos. Foi muito sofrido para mim nessa época, mas acredito que tudo que acontece na nossa vida vem para ensinar e fortalecer”, disse. “Eu meio que tive a minha infância ceifada pelo trabalho, mas isso não tirou a minha alegria de viver. Por isso eu tenho um bom humor constante e curto a vida que não pude ter quando mais novo”,  completou. 

A partir dessa experiência, ele formou uma base para trabalhar no restaurante que a mãe abriu com o pai e os irmãos. Durante quatro anos se dedicou ao comércio familiar, porém foi quando o irmão saiu para abrir a Carne de Sol do Araújo, na avenida 8, que os horizontes se expandiram. Pezão assumiu o restaurante da avenida Mário Negócio, nas Quintas, e em apenas dois anos e meio economizou o suficiente para montar uma estrutura mais moderna e robusta. 

Apesar do bom momento, a inexperiência em gerir um negócio lhe rendeu um ensinamento. Mudou de prédio, fora da avenida principal, e os clientes não acompanharam. “Em seis meses que eu estava nesse restaurante os frequentadores não apareceram. Eu estava falido porque as mercadorias estavam se vencendo, ficando velhas, e foi quando aos 21 anos eu virei a chave e passei a fornecer as marmitas para as empresas”, lembrou. 

A ideia deu tão certo que em pouco tempo ele já não conseguia atender a demanda diária. Com a ampliação da estrutura, passou a atender empresas no entorno do comércio, deixando assim o ramo de restaurante para exclusivamente se voltar ao novo público. “Eu aprendi uma lição: foi preciso fracassar para poder dar um passo maior. O empreendedor tem que pensar que se deu errado ali é para dar certo de alguma forma mais na frente. Não é porque não funcionou uma vez que não vai dar certo em outro momento”. 

Novo tropeço e depressão

Com as peças se encaixando e passando de 100 refeições/dia para mil diariamente, Pezão ponderou que a estrutura não suportava toda a demanda, mas lembrou que não estava com planos de fazer novos investimentos até que a receita financeira se tornasse grande. 

Então, em 1998, enquanto tinha contrato provisório com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi denunciado à Vigilância Sanitária por uma nutricionista. “O contrato era de dez dias e ia se renovando por igual período várias vezes. A estrutura realmente estava sufocada, então a Vigilância Sanitária fechou o restaurante e demorou 15 dias para reabrir. Quando voltei não tinha mais cliente. Foi um baque que me tirou do ramo”, disse. 

A partir daí, decidiu que era hora de mirar em uma outra área: a da construção civil. De 1998 a 2004 a situação financeira se degradou até o ponto de falência. “Eu estava na lona, zero. Sem um real no bolso e à beira de um colapso. Todos os dias quando acordava ia para o banheiro chorar, mas eu não sabia que era depressão, só vim enxergar depois. Eu simplesmente não sabia mais o que fazer. Dois mais dois só somava três, quando não dava negativo”, recorda. 

Reinício

A retomada do fluxo se deu em um momento de reflexão. Após passar seis meses arejando a cabeça na praia de Pipa, no município de Tibau do Sul, Pezão retoma o trabalho que lhe alçou ao sucesso profissional e financeiro: a produção de quentinhas. Conseguiu espaço no Sest/Senat, no prolongamento da avenida Prudente de Morais, em Natal, e voltou aos poucos a oferecer os produtos para empresas privadas. 

Apesar de saber o caminho, o reinício remeteu aos primórdios da sua jornada com restaurantes, nos primeiros anos da década de 1990. Dedicava entre 100 a 110 horas por semana para poder cortar custos e se capitalizar novamente, com o objetivo de voltar a fornecer quentinhas para o setor público. 

O esforço valeu a pena. Em três anos, o empresário recomeçou a participar de licitações grandes o que serviu para amenizar as experiências traumáticas de anos anteriores. Atualmente, nas empresas da família, Pezão emprega cerca de 3 mil colaboradores.

“Lembro que todo o esforço que fiz deu o resultado que eu esperava. Tive que abdicar muito da minha vida, mal via as minhas filhas porque saia às 4h da manhã e retornava tarde da noite. Era uma jornada muito cansativa. Nos finais de semana, levava minhas duas filhas para o Sest/Senat comigo para poder ter o  pai por perto. Almoçávamos juntos, tirava uma brincadeira, tudo isso para poder ter esse momento em família, que é muito importante”, declarou.

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