Existe um grupo de servidores públicos nos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário mais os Tribunais de Contas e os Ministérios Públicos) e nas três esferas (federal, estadual e municipal) que são os maiores conhecedores dos meandros da máquina pública e altamente competentes tecnicamente.
Porém, a esse grupo nunca são reservadas vagas no primeiro escalão.
Os integrantes dessa “nata” geralmente não têm votos a oferecer aos mandatários ou influência política para apadrinhar outros, trocar favores, intermediar contatos etc.
A burocracia estatal é composta por dois pavimentos: o superior, ocupado pelos políticos e seus apadrinhados; e, o piso, ocupado pelos técnicos sem votos ou prestígio.
Essa turma do piso é carinhosamente apelidada de panacas pelos ocupantes do andar superior e seus apaniguados.
Os do piso carregam o piano. Aqueles que habitam o sobrado dão as cartas. Ainda que não possuam competência técnica.
Os panacas se vingam afirmando para si mesmos: os políticos passam, os técnicos ficam. Só que até os técnicos perdem funções subordinadas comissionadas, gratificadas.
Quando isso acontece eles se tornam os superpanacas, aqueles que deram a vida pelo serviço público e foram substituídos por qualquer um com mais de dois votos ou prestígio familiar e político.