Tem um evento anual em Fortaleza chamado Farofa da Gkay, reúne subcelebridades para 3 dias de festas com o espírito livre e até então tudo podia. Na festa tem um quarto escuro para pegação em grupo, bebidas e algumas coisitas mais são liberadas. Ano passado uma ex-BBB se gabou porque beijou 30 bocas diferentes em uma única noite. Até no descolamento para a festa, feita em avião fretado da Latam desrespeitaram o uso da máscara, mas isso é o mínimo.
O comportamento de Tirulipa foi inconveniente, reprovável. Mas nada diferente do que acontece em toda a festa e no espírito do evento.
A dona da festa, a Gkay, estava filmando Tirulipa desamarrar os sutiãs das meninas que participavam da banheira bolando de rir, não teve nenhuma reprovação. Pior, outra influence desamarrou a parte inferior de um biquíni 👙, no caso a calcinha, de uma participante da banheira, não teve nada. Por várias vezes Tirulipa repetiu a atitude, sem nenhuma reprovação, sendo filmado e quem entrava na banheira sabia o que iria acontecer. Até que uma revolveu dizer que foi constrangidas sexualmente e expulsaram o humorista, jogaram aos leões julgadores da internet para cima do comediante.
Não estou defendendo Tirulipa, apesar de gostar dele, mas estou dizendo que o comportamento dele, mesmo abominável para os padrões fora da festa, estava dentro do clima libertinário do evento. Que ele invadiu o espaço das meninas não resta dúvidas, a questão é delimitar esse espaço. Não podemos usar a mesma régua de limites que tem aqui fora. A festa da Farofa é para quebrar padrões.
Tirulipa é um humorista que faz piada com anões, malha da feiúra de amigos, fresca com todo mundo, tem um comportamento politicamente incorreto, isso pode gerar crises a qualquer momento. Dessa vez passou do ponto sem dúvidas. Mas repito, do ponto das convenções do lado de fora do evento. Se é para apontar coisas abomináveis do evento, é fácil afirmar que com certeza isso não foi o fato social mais reprovável.
Por que a polícia não pede uma autorização judicial para fazer uma varredura de drogas no evento? Por que não investiga quem fornece as drogas? Se o evento ganha alguma comissão das vendas dos produtos ou fornece de forma free? Isso sim é um caso de polícia.
O problema que vivemos em uma sociedade de cancelamento. O crime mais abominável de Tirulipa é ser o que tem mais sucesso dessas subcelebridades. O problema não foi só Tirulipa, é o próprio espírito do evento.
Que sirva de lição para todo mundo, mesmo nas orgias tem regras. Os limites das regras é a oportunidade de aparecer. Nesse casa não tem nenhuma vítima. Na verdade tem vítimas, quem acha bonito esse evento.