O Ministério da Saúde orienta a 4ª dose de uma vacina contra a covid-19 só em imunossuprimidos. Apesar da diretriz, o Mato Grosso do Sul começou a realizar a 4ª injeção em seus idosos e profissionais de saúde nesta 4ª feira (9.fev.2022). São Paulo vai na mesma direção.
No mesmo dia, o governador paulista, João Doria (PSDB), afirmou que o Estado adotará a 4ª dose em toda a população, independentemente de recomendação do Ministério da Saúde.
Levantamento do Poder360 mostra que 18 das 27 unidades da federação pretendem seguir a orientação do Ministério da Saúde. Ou seja, só aplicar a nova dose em outros grupos (além dos imunocomprometidos), se o governo orientar.
Esses Estados também dizem que a nova injeção depende da disponibilidade de doses por parte do ministério. Eis a íntegra (64 KB) das respostas enviadas ao jornal digital.
Por enquanto, só Mato Grosso do Sul aplica a 4ª dose em outros grupos. O Estado justificou a decisão por causa da variante ômicron e “considerando a redução da efetividade das vacinas com o passar do tempo, a partir de 3 a 4 meses de sua aplicação”. Baseou-se em Israel, que já aplica a 4ª dose em idosos, e em estudos conduzidos no país.
Ministério desistiu de 4ª dose
Como o Poder360 já havia mostrado, o Ministério da Saúde chegou a avaliar a possibilidade de aplicar uma nova dose em idosos e profissionais de saúde, mas desistiu da ideia. “Até o momento não existem dados suficientes no Brasil para a recomendação de uma 4ª dose para a população geral, exceto imunocomprometidos”, disse em uma nota informativa publicada em 4 de fevereiro. Eis a íntegra (98 KB) do documento.
O ministro da Saúde Marcelo Queiroga criticou na 4ª feira (9.fev) a decisão de governadores e prefeitos de aplicarem a nova dose. “O governador de São Paulo e outros muitas vezes eles interferem no processo decisório a respeito da imunização”, afirmou.
“É fundamental avançar na dose de reforço. A gente ouve ‘ah, tem que aplicar uma 4ª dose’. Tem que avançar na dose de reforço, isso sim”, disse Queiroga.
Rio Grande do Norte afirmou ser a favor da 4ª dose em pessoas mais vulneráveis à covid-19. Citou idosos e pessoas com comorbidades. Contudo, afirmou que os municípios do Estado estão aplicando essa injeção só em imunossuprimidos. “Estamos tendo muita dificuldade na aplicação da terceira dose, por isso, observamos como um grande desafio”, afirmou.
A favor
Além do RN, a Bahia defendeu novas aplicações. Afirmou que o imunizante contra a covid-19 deveria ser incorporado ao calendário vacinal anual. “O adequado seria afirmar que retomaremos em breve à 1ª dose para idosos e profissionais de saúde”, disse. Contudo, ainda não anuncia novas injeções.
“É importante ressaltar que as divergências no SUS não são resolvidas de modo unilateral. Há fóruns regulares e específicos para formação de consensos”, afirmou.
O governador João Doria disse que “São Paulo avalia concretamente a 4ª dose, mas fará isso no momento certo e dentro de uma cronologia e de faixas etárias adequadas”. Não informou prazo para isso ser realizado.
“Temos um desafio que é completar a vacinação de quem não tomou a segunda dose e que ainda não tomaram a terceira dose”, declarou na 4ª feira.
O secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que o Estado ainda está avaliando qual será a estratégia do reforço. “Não gostaríamos inclusive nem de usar a terminologia ‘4ª dose’, porque se temos a perspectiva de usá-la de forma anual, não vamos fazer esse sequenciamento numérico”, disse.
Ceará, Acre e Espírito Santo avaliam
O Espírito Santo afirmou que a estratégia de uma 4ª aplicação “está em estudo”. Disse que o assunto será levado à câmara técnica para debate ainda nesta semana.
O Ceará afirmou que segue a recomendação do Ministério da Saúde, mas disse haver discussões sobre a possibilidade de aplicação da 4ª dose em idosos. Declarou que o tema será discutido em na reunião da Comissão Intergestores Bipartite em 18 de fevereiro. O grupo inclui representantes dos Estados e municípios.
O Acre afirmou que “já tem trabalhado com essa possibilidade” na gestão do Plano Nacional de Imunização Estadual. Mas disse não haver nada definido até o momento.
Algumas cidades já aplicam
A Prefeitura de Botucatu (SP) decidiu aplicar 4ª dose para maiores de 70 anos. O município de Volta Redonda (RJ) também optou por iniciar a nova aplicação dessa mesma faixa etária.
O Rio de Janeiro é 1 dos Estados que afirma seguir as recomendações do Ministério da Saúde. Disse que a nota técnica da pasta contra a aplicação da 4ª injeção em idosos “está sendo compartilhado com os 92 municípios fluminenses”.
4ª dose em imunossuprimidos
Imunossuprimidos ou imunocomprometidos são pessoas com baixa imunidade –como pacientes em hemodiálise. Diferentemente das outras pessoas, a 3ª dose faz parte do 1º ciclo vacinal desse grupo. Ou seja, para eles, o reforço é a 4ª injeção de uma vacina contra a covid-19 –não a 3ª.
A aplicação da 3ª dose em adultos imunossuprimidos foi anunciada em agosto. Desde dezembro, maiores de 18 anos que integram o grupo podem receber a 4ª dose. A aplicação é feita 4 meses depois da 3ª injeção.
O Ministério da Saúde liberou a 3ª dose e o reforço da vacina contra a covid-19 a adolescentes imunocomprometidos na 4ª feira (9.fev.2022).
Eis as pessoas consideradas imunocomprometidas pelo Ministério da Saúde:
- pessoas com imunodeficiência primária grave;
- pessoas que realizam quimioterapia para câncer;
- transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas
em uso de drogas imunossupressoras; - pessoas com HIV;
- pessoas que usam de corticoides em doses igual ou superior 20 mg por dia dia de prednisona, ou equivalente por ao menos 14 dias;
- pessoas usando remédios modificadoras da resposta imune;
- pessoas com doenças auto inflamatórias ou intestinais inflamatórias.
- pacientes em hemodiálise;
- pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas.
Poder 360