No domingo adoeci, comecei uma infecção intestinal, precisei ir 4 vezes ao hospital. Conto isso porque fui para um dos melhores hospitais da cidade, com seguro de saúde, mas enfrentei muitas dificuldades.
Na segunda-feira, fui para o São Lucas completamente sem forças, desidratado, recebi meu primeiro atendimento, vale salientar o melhor. O médico olhou pra mim, digo isso porque das quatro vezes que fui na urgência do São Lucas, em duas os médicos não levantaram a cabeça em minha direção.
Eu acho esquisito um atendimento sem toque, pegar nos pacientes. Até entendo os protocolos contra o COVID-19, no primeiro e segundo atendimento, não ter toque porque era um problema de infecção, não estava sentindo dores.
Nas duas vezes que fui da terça para quarta, uma médica e um médico, mesmo eu me acabando de dor não levantaram a cabeça para olhar o paciente. Sei que os atendimentos foram de madrugada, mas mesmo assim, como eles estavam trabalhando, era hora do expediente. É a questão de se propor a fazer o plantão, então tem que trabalhar.
Vejo muitos jovens estudando para medicina porque vão ganhar bem, pode até ser, mas o básico para ser um médico é gostar de gente, ter preocupação com o outro, empatia.
Os técnicos de enfermagem do São Lucas são treinados, a gente observa o padrão, os enfermeiros também, maqueiros idem. É fácil notar que seguem procedimentos. Os médicos parece que não.
Foram 4 experiências em 72 horas, só o primeiro médico demonstrou preocupação com o paciente, foi duas vezes depois do atendimento falar comigo, enquanto eu era medicado.
O meu último atendimento, estava com fortes dores no abdômen, o comportamento do médico (o carniceiro do São Lucas) foi impressionante, nas quase 5 horas que passei lá. Nem na hora do atendimento ou nas duas vezes que pedi para chamar ele porque a dor não passava, ele olhou pra mim. A sorte é que depois de uma injeção de tramal e 2 de buscopam composto a dor passou mesmo.
Como escapei, pra mim é fácil contar a história, vai ser um reboliço grande no hospital. O problema são as centenas de pessoas que passam por essas urgências e não tem como reclamar.
Gosto quando elogio o atendimento, como aconteceu comigo num procedimento cirúrgico que passei semana passada no Hospital do Coração. Ou mesmo a forma que fui atendido todas as 4 vezes pela equipe de retaguarda da urgência do São Lucas.
Se na universidade não ensinam empatia, o hospital deveria promover cursos para a equipe médica. Falo em universidade porque eram todos novinhos, em início de carreira, que com a experiência melhorem.