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STF avança para manter Fundão Eleitoral de R$ 4,9 bilhões

O STF (Supremo Tribunal Federal) avançou nesta 5ª feira (24.fev.2022) para manter o Fundão Eleitoral de R$ 4,9 bilhões. Todos os 5 votos proferidos durante a sessão divergiram do relator, André Mendonça, e se posicionaram para validar o fundo bilionário. O julgamento será retomado após o Carnaval, em 3 de março.

A divergência foi aberta pelo ministro Nunes Marques e acompanhada pelos ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Roberto Barroso e Luiz Fux, que pediu para antecipar seu voto durante a sessão.

Com isso, o STF está a apenas 1 voto para validar o Fundão Eleitoral. André Mendonça, relator do caso, segue isolado na posição de reduzir o valor do fundo para R$ 2,3 bilhões, correspondentes aos valores pagos em 2020 corrigidos pela inflação.

Como mostrou o Poder360, a tendência no STF era validar o Fundão Eleitoral como foi aprovado. O motivo é simples: a Corte busca evitar atritos com o Congresso em ano eleitoral.

Ao abrir a divergência, Nunes Marques afirmou que embora concorde com Mendonça em dizer que o país vive uma crise sanitária e econômica sem precedentes, não caberia ao Supremo estipular o valor dos recursos já fixados pelo Congresso para o Fundo Eleitoral.

“Entendo ser passo demasiadamente largo conferir ao Supremo a tarefa de corrigir as opções legislativas feitas pelos representantes do povo no que toca tão somente ao estabelecimento das prioridades orçamentárias para o ano de 2022”, disse. “Não pode o Supremo assentar, ainda que em um cenário de restrição orçamentária, e mesmo de crise pandêmica, a melhor alocação para a receita pública”.

O ministro Alexandre de Moraes, acompanhou e afirmou que não houve irregularidades na tramitação da proposta, que seguiu os mesmos critérios de 2020.

“Nós não podemos declarar inconstitucional porque o valor é alto ou baixo, temos que verificar os critérios. Não houve mudança de critério”, disse.

Edson Fachin e Luiz Fux adotaram posição semelhante. O ministro Roberto Barroso, o último que votou na sessão para acompanhar a divergência, disse que embora o fundão não fosse “a melhor opção nas circunstâncias brasileiras”, não caberia ao Supremo intervir no tema.

Mendonça isolado
A ação foi movida pelo Novo, que pede a anulação do trecho do PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) que previu, inicialmente, um valor de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Eleitoral de 2022. O montante foi revisto pelo Congresso para R$ 4,9 bilhões.

O Novo alega que o valor é inconstitucional e que houve desvio de finalidade na aprovação do Fundão. O fundo foi criado em 2017 como alternativa à proibição do financiamento privado de campanha.

Até o momento, somente o relator, André Mendonça, votou para revisar o valor do Fundo Eleitoral. Trata-se da 1ª ação relatada pelo ministro que é discutida pelo plenário, mas ele segue isolado em sua posição.

Segundo Mendonça, o Brasil enfrenta há 2 anos “dificuldades na gestão de recursos públicos” decorrentes da pandemia de covid-19. Por isso, diz que o aumento do Fundão Eleitoral para R$ 4,9 bilhões afrontaria o princípio da proporcionalidade quando comparado aos mesmos valores fixados em 2018 e em 2020.

Para as eleições de 2018, o Fundo Eleitoral foi de R$ 1,7 bilhões. Para 2020, R$ 2 bilhões.

Mendonça defendeu que o montante seja calculado a partir dos valores do Fundo Eleitoral de 2020 (R$ 2,034 bilhões) corrigidos pelo IPCA-E. Dessa forma, seria R$ 2,3 bilhões.

“Não se trata, e é importante se dizer, de ir contra a política. É ao contrário. Uma democracia consolidada deve ter nos agentes públicos e também nos ministros da Suprema Corte uma ação que preserve a importância da Política, dos partidos políticos e do Congresso Nacional”, disse Mendonça.

Mendonça disse em seu voto que não concordava com os argumentos trazidos pelo Novo para justificar a revisão do Fundão Eleitoral, mas destacou que ele próprio identificou vícios na tramitação do fundo que torna o montante inconstitucional.

“O que não se justifica e não se pode desrespeitar é a própria Constituição, e o princípio universalmente aceito da proporcionalidade. Todos nós devemos respeitar a política, assim como todos nós, inclusive a política, devemos respeitar a Constituição”, continuou.

Poder 360

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