No calendário político, as traições no grupo que discute uma terceira via são esperadas para começar em abril, assim que acabar o prazo para que os candidatos se filiem aos partidos.
Até lá, os atores que lideram o movimento de oposição ao lulismo e ao bolsonarismo irão manter o discurso de que poderão abdicar de candidaturas em torno do nome que se mostrar mais competitivo nas pesquisas eleitorais.
O fim do prazo para as filiações é importante porque decisões precipitadas podem influenciar deputados a desistirem de concorrer por um partido que mostre predileção por algum dos lados. Isso impactaria diretamente os planos das siglas que pretendem eleger uma bancada expressiva na Câmara, o que influencia na divisão do fundo partidário.
A lógica se aplica, por exemplo, ao PSD de Gilberto Kassab. Há uma suspeita na terceira via de que o partido almeja lançar Eduardo Leite na disputa, para congestionar a eleição presidencial.
Lula tem empreendido esforços para convencer Kassab a apoiar o projeto petista já no primeiro turno. A desistência de Jaques Wagner de concorrer ao governo da Bahia seria mais um sinal que o ex-presidente envia ao PSD. O PT, agora, deverá apoiar a candidatura de Otto Alencar no estado.
Guilherme Amado - Metrópoles