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Biden chama Putin de “criminoso de guerra”; Kremlin diz que fala é “inaceitável”

Sinalizando uma mudança em relação à postura anterior do governo dos Estados Unidos, o presidente Joe Biden chamou o presidente russo, Vladimir Putin, de “criminoso de guerra” nesta quarta-feira (16). A declaração chegou rápido ao Kremlin, que considerou a fala como “inaceitável”.

Embora autoridades, incluindo Biden, já tenham parado de dizer que crimes de guerra estavam sendo cometidos na Ucrânia, citando investigações em andamento sobre se esse termo poderia ser usado, os oficiais também deixaram claro que acreditam que “atrocidades estão em andamento” e que o ataque intencional a civis constituiria crimes de guerra.

O presidente norte-americano disse nesta quarta a repórteres na Casa Branca: “acho que ele é um criminoso de guerra”. Joe Biden inicialmente disse “não” quando perguntado se Putin era um criminoso de guerra, mas imediatamente retornou a um grupo de repórteres para esclarecer a fala.

De acordo com a agência de notícias Tass, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu à classificação do presidente dos EUA dizendo que é uma “retórica inaceitável e imperdoável”.​

Corte Internacional determina fim da invasão russa
A Corte Internacional de Justiça, em Haia, determinou nesta quarta-feira o fim das operações militares russas na Ucrânia. A recomendação foi obtida em uma votação de 13 votos favoráveis e 2 contrários.

O mesmo quórum também decidiu que a Rússia “não progrida com as operações militares referenciadas”. As medidas provisórias foram determinadas enquanto uma decisão final sobre o caso ainda segue sob análise.

Por unanimidade, todos os juízes concordaram que tanto a Rússia como a Ucrânia “não devem tomar nenhuma medida que agrava ou estenda a disputa perante a Corte, ou que a torne mais difícil de ser resolvida”. A Corte Internacional de Justiça é o principal braço judicial da Organização das Nações Unidas e é a principal entidade responsável por julgar e resolver conflitos entre países.

Biden anuncia US$ 800 milhões em ajuda militar à Ucrânia
Também nesta quarta, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que destinará mais auxílio para os ucranianos e afirmou que a guerra na Ucrânia nunca será uma vitória para Vladimir Putin.

Segundo Biden, os Estados Unidos destinarão mais US$ 800 milhões para a Ucrânia. O valor vem do enorme projeto de lei que o presidente sancionou na terça-feira (15), que inclui um total de US$ 13,6 bilhões em novas ajudas. A Casa Branca havia pedido um total de US$ 10 bilhões para assistência ao país do Leste Europeu. Porém, o Congresso conseguiu a aprovação do montante ainda maior.

Durante o pronunciamento, o presidente disse novamente que “a guerra na Ucrânia nunca será uma vitória para Putin“. “Nossos parceiros e aliados estão comprometidos a enviar mais equipamentos e ajuda à Ucrânia”, complementou. Ele também citou o discurso de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, ao Congresso americano nesta quarta, afirmando que foi “convincente e significativo”.

Zelensky pede ajuda aos americanos
Antes da fala de Biden, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursou no Congresso americano e disse que o país precisa da ajuda dos americanos com exclusão aérea, o envio de armas ou aumento de sanções contra os russos. Ele pediu ainda que todas as empresas dos EUA deixem a Rússia e sugeriu a criação de uma nova “aliança de países responsáveis” com força para interromper conflitos”.

“As guerras do passado fizeram com que nossos antepassados criassem instituições, mas precisamos de novas alianças”, declarou o ucraniano. Ele propôs um molde de “união de países que tenham força e consciência de interromper conflitos imediatamente, trazendo assistência em 24 horas com armas, com sanções, com apoio político e financeiro, para estabilizar a paz rapidamente”. “Essa união poderia dar assistência àqueles que vivem desastres naturais”, disse, e citou a pandemia de Covid-19 como um exemplo de mobilização com a qual tal aliança poderia se empenhar.

“Lembrem-se do ataque [japonês] a Pearl Harbor [em 1941], e do World Trade Center [2001]“, disse Zelensky ao Congresso. “Estamos passando pelo mesmo agora. É muito pedir uma zona de exclusão aérea por vidas? Se for muito, oferecemos uma alternativa. Sabemos o tipo de defesa que precisamos. Sabemos o que é preciso na batalha, de um sistema que defenda nosso povo. Aeronaves que ajudem a Europa. A Ucrânia é grata por tudo o que os Estados Unidos têm feito por nós, que nos ajuda a pressionar o inimigo economicamente. Mas precisamos de mais”.

CNN Brasil

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