Pelo menos 50 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em um ataque a uma estação ferroviária usada para evacuação de civis no leste da Ucrânia nesta sexta-feira (8), segundo novas informações das autoridades locais. Militares ucranianos e forças separatistas de Donetsk trocam acusações sobre a autoria do ataque a civis.
Enquanto autoridades locais afirmam que dois foguetes russos atingiram a estação na cidade de Kramatorsk, a República Popular de Donetsk (DPR) afirma que os destroços encontrados no entorno da estação são do foguete Tochka-U, utilizado apenas por ucranianos. “Este sistema de mísseis soviético obsoleto não está em serviço com o DPR, LPR e a Federação Russa, sendo usado ativamente por militares ucranianos.
A Rússia negou os ataques. O Ministério da Defesa da Rússia fez eco aos separatistas e afirmou que o tipo de armamento é usado somente pelos militares ucranianos e semelhante ao que atingiu o centro da cidade de Donetsk em 14 de março, matando 17 pessoas, de acordo com a agência de notícias estatal RIA.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que não havia tropas ucranianas na estação ferroviária no leste da Ucrânia: “As forças russas atingiram a estação de trem em Kramatorsk, (disparando) em uma estação de trem comum, em pessoas comuns, não havia soldados lá.”
“[Evacuações] estão acontecendo desde 26 de fevereiro, e os russos sabiam que milhares de pessoas estão lá todos os dias”, disse Tetiana Ihnatchenko, porta-voz da região administrativa de Donetsk. “Acredito que eles estavam contando com isso”.
Kremlin projeta fim de guerra “em um futuro previsível”
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse nesta sexta-feira (8) que a chamada “operação especial” da Rússia na Ucrânia pode terminar em um “futuro previsível”, já que seus objetivos estão sendo alcançados e o trabalho está sendo realizado tanto pelos militares russos quanto pelos negociadores da paz russa.
Peskov também afirmou que Moscou entende que alguns países que tentaram adotar uma posição equilibrada foram pressionados a votar pela suspensão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU, na quinta-feira (7).
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, não vê o conflito terminando tão cedo. “Infelizmente, esta guerra não vai parar nos próximos dias”, disse a uma emissora de TV francesa. Macron acredita que Vladimir Putin tentará uma data da vitória em nove de maio, dia que marca a vitória soviética sobre os nazistas na Segunda Guerra.
Situação em Borodianka
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse em um discurso na quinta-feira (7) que o trabalho está em andamento para limpar os escombros na cidade de Borodianka, onde a situação é “muito mais assustadora” do que a de Bucha.
“Até agora, o Estado russo e os militares russos são a maior ameaça do planeta à liberdade, à segurança humana, ao conceito de direitos humanos como tal. Depois de Bucha, isso já é óbvio”, disse ele, acrescentando que o trabalho de remoção de escombros em Borodianka já começou. “É muito mais assustador lá. Mais vítimas de invasores russos”, disse Zelensky.
O presidente ucraniano disse que atrocidades semelhantes também foram vistas em Mariupol.
“O que acontecerá quando o mundo souber toda a verdade sobre o que os militares russos fizeram em Mariupol? Ali, em quase todas as ruas, está o que o mundo viu em Bucha e em outras cidades da região de Kiev após a retirada das tropas russas. A mesma crueldade. Os mesmos crimes terríveis”, disse ele.
Deslocamento de tropas russas e novas estratégias
As forças russas se retiraram totalmente do norte da Ucrânia e retornaram para Belarus ou para a própria Rússia, informou o Ministério de Defesa do Reino nesta sexta-feira (8). Segundo a última atualização da inteligência britânica, parte destas tropas deve ser transferida para o leste ucraniano, com foco na região de Donbas.
O Ministério afirma que muitas destas forças exigirão reabastecimento significativo antes de se deslocarem para o leste da Ucrânia, processo que deve demorar no mínimo uma semana.
Além disso, a Ucrânia vê os preparativos quase concluídos para uma tentativa de “avanço maciço” das forças russas na região leste de Donbass, disse o governador militar da região de Luhansk nesta sexta-feira (8).
“Sentimos os preparativos finais para um grande avanço, a grande batalha que será em nossas regiões de Luhansk e Donetsk. Há tentativas constantes de romper a linha de defesa em certas direções”, disse Serhii Haidai, chefe das forças armadas da região de Luhansk. administração, disse em comentários televisionados.
As áreas controladas pelos separatistas em Donbass ficaram conhecidas como República Popular de Luhansk e Donetsk. As repúblicas autodeclaradas não são reconhecidas por nenhum governo, exceto a Rússia e seu aliado próximo, a Síria.
Autoridades ucranianas pediram aos moradores de algumas cidades de Donbass que se retirem em antecipação ao que dizem ser uma grande ofensiva.
CNN Brasil