Pitomba era uma cadela reprimida, vivia em um tédio, só comia ração, nada de sexo, dois humanos a chamavam de "filhinha".
Ela tinha um desejo de uma aventura errante, beber cerveja, rolar a noite, conhecer coisas novas, uns cachorros.
Um dia, num vacilo, Pitomba conseguiu fugir, queria ser uma cachorra da vida. Correu da rua Mossoró direto para o aeroporto Aluízio Alves, pegou um voo para São Paulo usando o cartão de crédito 💳 da "tutora", viajou com um cachorro que conheceu naquele momento.
Em Guarulhos, ela olhou para o letreiro de viagens internacionais, escolheu a França, pegou o primeiro voo para Paris.
Na França, ela fumou, comeu carne com batata frita, foi para boates, transou adoidado com as patas na cabeça para não perder o juízo. Latiu, correu pelas ruas, nada de mimimi, era uma cachorra plena, bem resolvida, sem tutores, era dona do seu nariz.
Parecia o último latido, curtindo a vida adoidado, Pitomba estava feliz.
O cartão foi bloqueado, era hora de voltar. A pequena cidade do nordeste do Brasil estava mobilizada a procura de Pitomba. Virou a cadela mais conhecida do Instagram, personalidade famosa da capital.
Numa ressaca 😵 louca, Pitomba volta para casa com a maior cara de arrependida. O choro foi geral, emoção, faz de conta que nada existiu. Que cachorrada!