Nos últimos 15 anos, a taxa de excesso de peso dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos aumentou de 20,65%, em 2006, para 35,71%, em 2021 – uma alta de mais de 70%. Em pessoas de 25 a 34 anos, houve um salto de 37,67% para 54,41%, com um crescimento de 44% no período. Os dados foram obtidos por meio do sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.
No intervalo da faixa etária de 55 a 64 anos, a diferença foi de 9,89 pontos percentuais: subindo de 56,81% para 64,06%. Pessoas acima de 65 anos tiveram uma mudança de 52,39% para 60,72%.
O professor Gilberto Kac analisa que há diversos fatores que impulsionam esse aumento, como o sistema alimentar atual e a falta de atenção do poder público.
"Existe uma questão de poder aquisitivo e de acesso. Há vários conglomerados industriais que pressionam esses indivíduos, por meio do marketing, para fazer o consumo de produtos ultraprocessados, como biscoitos e refrigerantes, e outros itens com características de baixo custo. Além disso, a falta de regulamentação governamental e a rotulagem frontal desses produtos deveriam ter programas muito mais avançados para proteger a população desse tipo de formação de paladar", Gilberto Kac.
Em dados gerais, 42,74% da população brasileira estava acima do peso em 2006. Já em 2021, último ano divulgado pelo sistema do órgão federal, esse índice era de 57,25%.
Economia afetada
Os problemas de saúde causados pelo sobrepeso podem afetar até a economia, segundo a economista e professora da Ibmec Vivian Almeida. Ela explica que quanto mais pessoas doentes, maiores as chances da produtividade do mercado ser atingida negativamente.
“Pessoas com doenças crônicas, de todas as faixas etárias, podem afetar a produtividade, principalmente os jovens, que são a raiz e energia da população economicamente ativa. O físico faz grande parte disso, desde o trabalho braçal até o intelectual. Então isso tende a escalonar. É um processo e um problema instigante, que pode afetar o PIB do país. A economia somos nós. A pessoa é a economia. Se a saúde da pessoa não estiver boa, nada estará 100%”, avalia.
Além da saúde, Vivian pontua que a alta nos preços dos alimentos causados pela inflação faz com que as pessoas procurem uma saída, como alimentos mais baratos e ultraprocessados.
“É possível observar uma perda do consumo há um tempo. Paulatinamente e de modo convergente, a perda de renda e o consumo mostra uma piora na alimentação. Exemplo disso temos os ultraprocessados, que são atrativos por muitas questões: mais baratos, acesso. Se observarmos pelo lado do consumo, esse vai sendo o efeito no corpo do brasileiro. Em média, a piora de alimentação está relacionado à piora de saúde”, completa a especialista.
CNN Brasil