É cada coisa. Virou moda goumetizar tudo. Aí basta dizer um nome pomposo, a tapioca vira Le Tapioquè, o cuscuz transforma-se em floquinhos de milho e mistura de carnes é blend que vira hambúrguer.
Só que agora, achando pouco, estão modificando os nomes dos pratos. Criam uma expectativa de algo novo para a mesmíssima coisa.
Ontem, fui jantar no La Bodega, por sinal sensacional, mas me chamou atenção que no menu (sequência) servido a sobremesa era um cheesecake de goiaba desconstruído. Fiquei o jantar todo na expectativa de saber como seria um cheesecake desconstruído. Nada mais era que desmontado, o mesmo creme, a mesma goiabada, a mesma massa, só que sem ser montado, dividido em três partes separadas. Muito gostoso, mas a mesma coisa. O gourmet é só a desconstrução.
Aí hoje fui almoçar no Navarro, lá no Barreira Roxa, perguntei ao garçom o que indicava, ele disse um filet a cordon blue que é uma releitura do Parmegiana. Nunca peço Parmegiana, mas como era uma "releitura", achei interessante. Segui a dica. Comi um carpaccio de entrada e fiquei ansiosamente para saber que releitura era essa. Aí chega o velho Parmegiana, só que a carne não estava em cima do macarrão (agora o termo certo é massa). A releitura é colocar a carne ao lado da massa, não em cima. Que comédia. Estava gostoso, mas o ponto comercial que é a releitura não quer dizer absolutamente nada.
O texto é só uma crítica aos nomes escolhidos, a comida servida foi excelente. Mas sinceramente um cheesecake de goiaba e o Parmegiana não precisam de desconstrução ou releitura, basta servir normal mesmo, sem frescura.