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Briga entre Americanas e credores: as respostas que podem valer bilhões

O rombo bilionário da Americanas, que veio a público na última semana, deflagrou uma crise nos negócios da gigante varejista.

Em comunicado divulgado ao mercado, a empresa detectou uma “inconsistência contábil” na ordem de R$ 20 bilhões nos balanços, que, após uma análise mais minuciosa, pode resultar em uma dívida de R$ 40 bilhões. 

A Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido de tutela cautelar judicial, processo que impede a penhora ou bloqueio de bens por credores até que seja aberto um possível processo de recuperação judicial pela Americanas, com prazo de até 30 dias corridos.

Em resposta, bancos e credores recorreram da decisão, com o BTG Pactual puxando a fila com uma petição — já negada pela Justiça — contra o bloqueio de execução de dívidas. Pouco se sabe, porém, até onde essa briga de “peixe grande” vai.

Para cada pergunta que se tenta achar uma resposta, surgem outras dúvidas — o que coloca a Americanas em uma situação ainda mais delicada. Confira alguns dos principais questionamentos que rondam a crise da varejista.

A Americanas vai dar conta de arcar com a dívida?
Diante do andar da carruagem, a agência de classificação de risco S&P Global foi a primeira entre as três grandes do ramo a rebaixar a nota da Americanas para “calote”. O anúncio foi feito na última segunda-feira (16), quando declarou que a varejista está em situação de não pagamento, o chamado “default”.

Na decisão, a S&P cita que a medida é resultado da decisão da Justiça do Rio. “Em nossa visão, embora a tutela ainda não represente uma recuperação judicial, é um passo inicial rumo a ela. Além disso, a empresa anunciou hoje a contratação da Rothschild para renegociação de toda a sua dívida”.

As outras duas grandes agências de classificação de risco, Fitch Ratings e Moody’s, também rebaixaram a nota da gigante varejista, a um grau acima da situação de calote. A expectativa é que sigam o mesmo caminho da S&P Global.

Também na segunda-feira, a empresa deixou de pagar juros remuneratórios da 17ª emissão de debêntures, que envolvem uma dívida de R$ 2 bilhões, com recursos para reforço do caixa da companhia e para fazer frente às dívidas com vencimento em 2022 e 2023.

“Conforme escritura da 17ª emissão de debêntures, em sua cláusula 4.2.2, consta a previsão de pagamento de juros remuneratórios nesta data (16/01/2023), o qual não foi liquidado, tornando o ativo inadimplente”, afirma a comunicação recebida pela Americanas.

A empresa respondeu citando que a decisão da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro permite o calote no título.

Qual o tamanho da exposição dos bancos?
A decisão do BTG Pactual em recorrer à liminar que protege a Americanas por 30 dias é exemplo de como o banco e outras instituições financeiras estão expostos ao risco de um calote bilionário da varejista.

O BTG puxa essa fila por estar entre os mais atingidos pelos respingos da companhia. A exposição, conforme primeiro informou a analista de economia da CNN, Thais Herédia, é grande, embora não aparente ao se olhar para a carteira de crédito do banco de investimentos.

A questão está no que vem após à liminar. Com base em casos anteriores, analistas do JPMorgan estimam que os bancos devem começar a provisionar cerca de 30% da exposição à Americanas, o que pode eventualmente subir a depender do desfecho de eventual pedido de recuperação judicial.

Para bancos como o BTG, é uma conta que pode pesar — e muito.

Como é a dívida da Americanas?
A ausência de detalhes sobre a dívida da varejista implica em uma série de questionamentos, que, até então, permanecem sem resposta.

Qual é, afinal, o tamanho da dívida? O rombo de R$ 20 bilhões pode gerar, de fato, a dívida de R$ 40 bilhões? Como essa dívida será paga? Qual é o tipo de dívida? É de curto prazo ou longo prazo? E com que juros?

Com a agenda de indicadores esvaziada, o escândalo contábil da Americanas, já apontado como o maior do país, pode agitar mais turbulências ao mercado de capitais brasileiro — e culminar em uma batalha de “gente grande”, com bilionários a exemplo de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, do grupo 3G, no meio do imbróglio.

As ações da empresa voltaram a desabar na segunda-feira, quando tombaram 38,41%, a R$ 1,94. No pregão anterior ao anúncio sobre os problemas fiscais, que resultaram na renúncia dos recém-empossados presidente-executivo e vice-presidente financeiro, os papéis da Americanas valiam R$ 12.

CNN Brasil

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