Rosas di Maria 2
politica

Estadão: Haddad, o ministro decorativo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, soube já no primeiro dia no cargo que será figura decorativa, espécie de tarefeiro do presidente Lula da Silva. Seria ingenuidade supor que pudesse ser diferente, mas Haddad, aparentemente, acreditou que tinha autonomia para tomar as decisões certas, e não as que fossem convenientes ao populismo lulopetista – e, portanto, erradas.

Antes da posse de Lula, Haddad, já escolhido para a Fazenda, pediu ao então ministro da Economia Paulo Guedes que se abstivesse de adotar medidas que pudessem afetar as receitas e as despesas do futuro governo. Entre essas medidas estava a prorrogação da desoneração dos combustíveis, que serviu ao governo de Jair Bolsonaro para baixar o preço da gasolina na marra e, assim, tentar melhorar as chances de reeleição do presidente. Como Haddad prometeu reduzir o déficit fiscal projetado para este ano, de R$ 220 bilhões, reonerar os combustíveis era a primeira e mais evidente escolha a ser feita.

Mas a “ala política” do governo Lula, preocupada com os efeitos de uma súbita alta de preços dos combustíveis na popularidade do presidente recém-empossado, fez prevalecer sua opinião, e Haddad teve que engoli-la. Desprestigiado desde o primeiro dia, Haddad assumiu uma das funções mais relevantes da administração federal com um discurso em que disse aceitar ser o “patinho feio” da Esplanada dos Ministérios, contrapondo-se a colegas e a medidas que possam prejudicar o governo. Se é assim, o ministro terá que ensaiar bem mais para aprender a dizer “não” a Lula, talvez pela primeira vez.

Ao manter os impostos federais sobre os combustíveis zerados por mais 60 dias, medida que ainda pode ser prorrogada ao fim desse período, o governo Lula sinaliza que as demandas eleitoreiras, sempre que for o caso, vão prevalecer sobre a racionalidade econômica. É péssimo sinal.

Ademais, é irônico que um governo que se diz tão preocupado com os pobres, pelos quais Lula chorou em seu discurso de posse, desdobre-se para manter artificialmente baixos os preços dos combustíveis, medida que favorece quem tem carro. E a ironia não acaba aí: ao manter a farra da gasolina barata, Lula estimula a queima de combustível fóssil, na contramão de suas promessas de proteção ambiental.

Na tentativa de explicar o inexplicável, Haddad se complicou ainda mais. Disse, em entrevista ao site Brasil 247, que a reoneração dos combustíveis somente poderia ocorrer após a posse da nova diretoria da Petrobras e a consequente mudança na política de preços da companhia. Não se sabe o que uma coisa tem a ver com a outra, mas o que se sabe muito bem é que os preços dos combustíveis serão “abrasileirados”, como disse Lula ainda durante a campanha. Em outras palavras, serão tratados como questão eleitoral. Já vimos esse filme de terror: o governo tenebroso de Dilma Rousseff fez exatamente isso, para enfrentar sua crescente impopularidade, e quase quebrou a Petrobras, obrigada a subsidiar preços artificiais.

A mão pesada do lulopetismo nos preços dos combustíveis é apenas uma amostra da anunciada intenção do novo governo de intervir muito mais na economia. Recorde-se que Lula, ao tomar posse, prometeu mexer nas leis trabalhistas, aumentar gastos sem se preocupar com limites fiscais, interromper as privatizações e colocar o Estado como indutor do crescimento, ressuscitando iniciativas fracassadas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a exigência de conteúdo nacional em áreas como exploração de petróleo e indústria naval.

Não que se esperasse algo muito diferente do terceiro mandato de Lula. Como bem lembrou Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, em entrevista ao Estadão, Lula “nunca mentiu para ninguém” e o que ele disse no dia da posse “é o que ele vem falando há 40 anos e nos últimos meses”. Mas é incontestável que a retomada dessa agenda já testada e reprovada, cujos efeitos deletérios ainda hoje são sentidos, sobretudo pelos mais pobres, dá pouca margem para otimismo num governo que, mal começou, já disse a que veio.

Estadão

Gostou desta notícia?
Participe do nosso grupo no WhatsApp e fique por dentro de todas as novidades!
BLOG GUSTAVO NEGREIROS - 626x522.png 400x400px.gif 320 x 100px.png GUST_NEGREIROS_REFIS_626x522.gif GUST_NEGREIROS_626x522_CEARA.gif Banner_Iluminacao_400x400px.gif IRN-campanha-check-up-masculino-blog-do-gustavo-negreiros-mobile-400x400px.gif BANNERS-GN_317X264_ORATHORIA.gif BANNER_400X400_GUSTAVO.png 96 - FM - depois do post

11 comentários para "Estadão: Haddad, o ministro decorativo"

Deixe uma resposta para essa notícia

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/1000.


Posts relacionados

Anuncie com a gente Documento com valores para anúncio

Mais lidas

  1. 1

    Morre o cantor Netinho

  2. 2

    Procuradora compartilha fake news sobre Flávio Bolsonaro privatizar praias

  3. 3

    Bomba: O que motivou Vini Jr e Virgínia terminarem

  4. 4

    As pesquisas que o PL vê como decisivas para virada ou estagnação de Lula contra Flávio

  5. 5

    Estátua da Liberdade da Havan é pichada em Natal e Luciano Hang oferece recompensa de R$ 10 mil

360x96 Campanha facex.png