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Ministro dos Direitos Humanos e irmã de Marielle silenciam sobre elo de titular do Turismo com milicianos

Os ministros dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, e da Igualdade Racial, Anielle Franco, silenciaram até o momento sobre o elo político da titular do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), com ao menos três acusados de chefiar milícias no Rio de Janeiro.

Os laços de Daniela com milícias foram revelados pela Folha nesta semana. Procurados pela reportagem, os dois não se manifestaram sobre o caso.

Silvio Almeida chegou a emitir uma nota sobre outro tema na quinta-feira (5), criticando a possibilidade de retirada das câmeras acopladas aos uniformes de policiais militares em São Paulo na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Anielle é irmã da vereadora Marielle Franco (PSOL), que foi assassinada em 2018 no Rio —o suspeito principal do crime, Ronnie Lessa, é integrante da milícia de Rio das Pedras. Ele está preso.

Nos bastidores, o assunto é tratado como delicado, uma vez que envolve o mais alto escalão do governo Lula (PT).

No entanto, alguns integrantes do governo, sobretudo os do Palácio do Planalto, têm saído em defesa da ministra. Os posicionamentos têm sido concentrados no ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

Nesta sexta-feira (6), ele disse que não existe "nada relevante" até aqui nas revelações.

O deputado federal Marcelo Freixo, que deve presidir a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), disse nesta semana que tem uma "relação recente de muito diálogo" com a ministra. A agência fica submetida ao Ministério do Turismo.

Ele disse concordar com Daniela, que afirmou caber à Prefeitura de Belford Roxo (RJ) explicar a nomeação de um miliciano. A prefeitura é atualmente comandada por Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (União Brasil), casado com Daniela.

"A minha relação com a ministra Daniela Carneiro é recente e tem sido muito boa, de muito diálogo. Não tenho dúvida de que a Embratur e o Ministério do Turismo, que nunca trabalharam juntos, podem trabalhar. Minha relação recente com ela é de muito diálogo e de muita correção. Li a defesa dela, e ela atribui as relações à prefeitura. Cabe à prefeitura falar sobre a nomeação", disse ele.

O deputado disse na ocasião não ter alterado sua posição sobre a atuação das milícias. "Fiz o maior enfrentamento às milícias já feito no Rio de Janeiro. Levamos à prisão de 240 milicianos e mudamos o conceito de milícia. Milícia é crime organizado e lugar de miliciano é na cadeia."

Freixo presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio. No relatório da comissão, concluído em 2008, o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura, é citado como líder de uma milícia em cinco bairros de Nova Iguaçu.

O grupo político de Daniela e Waguinho mantém há ao menos quatro anos vínculos com a família de Jura.

Folha de São Paulo

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