Eduardo Arthur Izycki, oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teria chantageado colegas para não perder seu cargo, em um processo administrativo interno do órgão. Ele foi um dos presos na operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (20), que investiga esquema de espionagem ilegal.
A notícia é do Metrópoles. Ele é investigado dentro da Abin há anos porque uma empresa registrada no nome do pai dele, a Icciber Segurança Cibernética, tentou um contrato com o Exército Brasileiro em 2018, para prestar um serviço na área de soluções de exploração cibernética e web intelligence.
Acontece que Eduardo Arthur (foto em destaque) é da área de contra inteligência cibernética e o contrato com o Exército seria um conflito de interesse, além de ir contra a exclusividade exigida pelo seu cargo na Abin. Representantes de empresas rivais no processo seletivo do Exército perceberam a irregularidade e a situação foi denunciada para a Abin. A suspeita é o oficial da Abin seria o verdadeiro dono da Icciber.
Próximo de Eduardo Arthur, o outro servidor preso na operação da PF, Rodrigo Colli, também responde a processo administrativo e também teria chantageado colegas. As investigações internas da Abin avançaram e a demissão dos dois servidores se tornou uma possibilidade iminente.
Diante disso, segundo a investigação da PF, Eduardo Arthur e Rodrigo Colli passaram a chantagear servidores, demonstrando que eles tinham conhecimento de uma grave irregularidade envolvendo funcionários da inteligência brasileira: a espionagem ilegal dos celulares de autoridades.
A operação desta sexta tem como alvo principal essa espionagem ilegal. Servidores usavam um software israelense para monitorar ministros do STF e outras pessoas consideradas adversárias do ex-presidente Jair Bolsonaro. Tudo isso de forma ilegal, sem decisão judicial.