Quem precisou acessar o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o maior do Rio Grande do Norte, neste fim de semana (6,7,8/10) se deparou com uma situação já conhecida, mas sempre lamentada: a extrema superlotação. Imagens de dentro da unidade comprovam que o estado caótico permanece nesta segunda-feira (9).
As denúncias relatam que na sala de recuperação tem 22 pacientes e 3 salas de cirurgia estão presas com usuários, necessitados de leito de UTI, mas internados nelas porque não tem vaga de UTI. O politrauma, setor destinado a atendimentos de urgência, também está completamente lotado.
Um dos corredores, com pacientes dos dois lados, abrigam alguns idosos, incluindo uma pessoa de 101 anos, outra de 89 anos e mais uma de 82 anos. Alguns deles estão com a maca baixa no chão. Dentro do CRO, sala de recuperação pós cirurgia, também existem diversas internações irregulares.
Os trabalhadores da unidade relataram à direção do Sindsaúde/RN estarem sobrecarregados pela quantidade exorbitante de pacientes e ainda estão sendo maltratados por usuários (as) e acompanhantes que, infelizmente, não conseguem compreender a situação. É importante destacar que há pouco mais de dois meses, em julho deste ano, o Ministério Público do Rio Grande do Norte acionou a Justiça pedindo, no prazo de quinze dias, a imediata retirada de pacientes dos corredores do Hospital Walfredo Gurgel.
A medida, no entanto, não surtiu efeito e embora a superlotação da unidade não seja mais nenhuma novidade por aqui, ainda sim é extremamente preocupante, pois coloca diretamente a vida das pessoas em risco. Nós, do Sindsaúde/RN, sempre defendemos que essa situação é reflexo do estrangulamento dos serviços da rede, pois, uma vez que não se investe no bom funcionamento dos Hospitais Regionais, o Walfredo acaba sempre absorvendo toda essa demanda.
Além disso, nunca é demais relembrar que a postura da governadora Fátima Bezerra (PT), ex-sindicalista, diante dos movimentos trabalhistas é criminalizar a luta dos trabalhadores alegando que ela é a responsável por causar cenas caóticas como as divulgadas agora. O que acontece no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel é desumano, devastador e acontece agora, sem a existência de nenhum movimento grevista.
Nesta segunda-feira, em defesa pelo piso da enfermagem e por melhores condições de trabalho, acontece uma paralisação e uma caminhada até a sede da Governadoria do Estado.