A edição deste ano do concurso Miss Universo, programada para amanhã, sábado, em El Salvador, acontecerá sob um ambiente de menos brilho e glamour. A proprietária da organização, a magnata da mídia tailandesa Anne Jakkaphong Jakrajutatip, entrou com pedido de recuperação judicial, segundo informações da agência de notícias Nikkei Ásia.
A empresa comandada por Anne Jakkaphong, o JKN Global Group, apresenta um rombo de 7 bilhões de baht (cerca de US$ 200 milhões).
A companhia não realizou o pagamento de uma parcela de debêntures em 1º de setembro, provocando inadimplência cruzada em outras seis.
Segundo a Nikkei, mais de 3 bilhões de baht (a moeda da Tailândia) em debêntures já venceram, além de empréstimos bancários de curto prazo de 348 milhões de baht e 1,4 bilhão de baht devidos a fornecedores.
As dificuldades financeiras foram informadas no balanço do terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira (15), quando dois diretores do conselho renunciaram.
O preço das ações JKN já caíram mais de 90%, em 12 meses, na Bolsa de Valores da Tailândia.
Ainda segundo a agência de notícias asiática, a aquisição dos concursos Miss Universo, Miss USA e Miss Teen USA, por US$ 20 milhões, em outubro do ano passado, visava expandir os negócios internacionais da JKN e aumentar o reconhecimento da marca de Anne Jakkaphong, um ícone na comunidade LGBTQIA+ como uma das mulheres transexuais mais ricas do mundo.
Em setembro, direitos de programas e marcas registradas da JKN estavam avaliados em 7,6 bilhões de baht, ou 60% de seus ativos totais.
Analistas avaliam que o problema da companhia foi a mudança no modelo de negócios. Originalmente, era uma das empresas de mídia mais bem-sucedidas da Tailândia, comprando e distribuindo conteúdo, mas passou a atual no negócio de TV e digital, tornando-se concorrente de seus clientes anteriores.
A receita de publicidade da JKN registrou uma queda anual de 60%, no primeiro trimestre de 2023.
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