O Brasil enfrenta uma onda de calor extremo. Em diversas cidades, os termômetros chegam a marcar temperaturas próximas ou acima dos 40 graus e a sensação térmica atinge os 60 graus. Os prejuízos ao organismo causados pelas altas temperaturas vão muito além do desconforto.
O perigo, não importa a idade e a boa saúde, começa quando a temperatura do ar supera a do corpo humano, de cerca de 36,5 graus Celsius, segundo Fábio Gonçalves, professor de biometeorologia da Universidade de São Paulo (USP). Acima dessa temperatura, o corpo fica sobrecarregado para se manter em equilíbrio.
Não é exagero dizer que a saúde corre perigo e que há risco de morte. Basta olhar para o lamentável caso da morte da estudante Ana Benevides, de apenas 23 anos, após passar mal durante o show da cantora Taylor Swift, realizado na sexta-feira (17), no Rio de Janeiro.
-- Os riscos associados ao calor extremo para a saúde são alarmantes e podem resultar em sérias consequências. Em situações onde as pessoas estão expostas a altas temperaturas, sobretudo em locais mal ventilados ou com grande concentração de pessoas, diversos problemas de saúde podem surgir -- alerta a cardiologista e intensivista Stephanie Rizk, especialista em insuficiência cardíaca, transplante cardíaco e coração artificial da Rede D’Or, Hospital Sírio-Libanês e médica da Cardio-Oncologia do InCor/ICESP da Faculdade de Medicina da USP.
A insolação é o problema mais preocupante associado à exposição ao calor extremo. Essa condição, considerada grave, é decorrente da incapacidade do corpo em controlar a própria temperatura. Os sintomas incluem: elevação da temperatura corporal, pele vermelha, quente e seca; dor de cabeça, tontura, náusea, confusão mental e, em casos extremos, perda de consciência.
Outro problema comum, segundo Rizk, é a desidratação, causada pela perda significativa de água e eletrólitos, o que é frequente em situações de calor intenso e suor excessivo.
-- Sinais como sede extrema, boca seca, urina de cor escura, fadiga e tontura são indicativos dessa condição -- explica a intensivista.
Outra condição é a exaustão pelo calor, resultante da perda de água e sal e inclui sintomas como fraqueza, dor de cabeça, náusea e tontura.
Além desses quadros causados especificamente pelo calor, as altas temperaturas agravam doenças pré-existentes. O calor pode impactar gravemente sete órgãos: cérebro, coração, intestinos, fígado, rins, pulmões e pâncreas.
Estudos feitos pelo grupo de Paulo Saldiva, professor titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), especialista no impacto do meio ambiente sobre a saúde, mostram que o calor eleva o risco de crises de epilepsia, por exemplo.
Pessoas com doenças cardiovasculares também correm maior risco. O aumento da temperatura corporal provoca vasodilatação, causando queda abrupta e intensa de pressão arterial. Além disso, exige que o coração bombeie sangue rapidamente. Entre os eventos prováveis que podem resultar da sobrecarga estão infarto e, em última instância, colapso cardíaco e morte.
O Globo