Além do endividamento elevado e da perda de receitas desde a pandemia, um ponto central para o pedido derecuperação judicial da SouthRock Capital foi a notificação enviada pela Starbucks Coffee International Inc à empresa brasileira, em 13 de outubro. No documento, a companhia americana declara a "imediata rescisão dos acordos de licença da Starbucks celebrados entre as partes". Ou seja, encerra o acordo com a SouthRock, fundada em 2015.
O pedido de recuperação foi feito na terça-feira, 31, e inclui uma dívida a ser renegociada com os credores da ordem de R$ 1,8 bilhão. Além do Starbucks, a empresa também controla as marcas Eataly, TIG Friday's e Subway no Brasil (essa última não foi incluída na RJ). Em nota, o grupo diz que "todas as marcas continuarão operando".
No pedido de recuperação, feito pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados, a SouthRock pede que os efeitos da "rescisão das licenças Starbucks" sejam suspensos para garantir a manutenção das atividades e a possibilidade de reestruturação do passivo.
No documento, os advogados afirmam que a empresa vinha negociando uma repactuação das obrigações decorrentes das licenças da Starbucks, "tendo inclusive celebrado aditamentos aos referidos contratos a fim de que as condições de pagamento refletissem sua atual capacidade financeira".
"Por esse motivo, a notificação de rescisão foi recebida pelas 'requerentes' com absoluta surpresa, uma vez que a relação e as tratativas mantidas entre as partes até então jamais haviam indicado que existiria a possibilidade de rescisão imediata dos acordos", segundo o pedido de recuperação.
Pelo relato dos advogados, ao longo das últimas semanas, e mesmo depois do envio da notificação, as conversas continuaram constantes e, acreditava-se, produtivas, visando a uma solução do conflito instaurado pelo recebimento da notificação. Mas, na última sexta-feira, 27, a Starbucks Coffee Internacional encerrou as negociações, o que motivou o pedido de recuperação judicial.
UOL