Após uma longa queda-de-braço vista nas últimas semanas entre o governo e a Diretoria da Petrobras, a determinação do presidente Lula prevaleceu, ampliando os investimentos da empresa dedicados a refino, transição energética, oferta de gás, produção de fertilizantes e conteúdo local.
Cobranças duras que aconteceram no Planalto foram vistas também no Conselho de Administração da Empresa nos encontros que antecederam a aprovação do plano de investimentos. De forma inusitada, representantes dos minoritários e do governo se juntaram contra as ideias apresentadas inicialmente por Jean Paul Prates, consideradas incipientes, sem alinhamento com o Planalto e com potenciais riscos fiscais para a empresa.
Após as cobranças nos gabinetes, protagonizadas pelos ministros Fernando Haddad, Rui Costa e Alexandre Silveira, as propostas foram melhoradas, com a elaboração de novos cenários, que permitiram mitigar os riscos para a companhia e alinhar o planejamento às diretrizes do governo. Contrariando a retranca apresentada pelos diretores da empresa, o governo viabilizou a ampliação dos investimentos da Petrobras, que saltaram de cerca de 80 bilhões de reais para 102 bilhões de reais.
No plano final, foram absorvidos projetos importantes, como o Sergipe Águas Profundas, que vai permitir a ampliação da oferta de gás natural para o mercado em 18 milhões de m³ por dia, o que deverá baixar o preço do insumo para reindustrialização do país, em especial nos setores petroquímico e de fertilizantes.
Outros projetos incluídos, a partir da diretriz do presidente e contra a vontade inicial da atual diretoria, estão relacionados à revitalização de campos de petróleo atualmente em produção e que seriam deixados de lado pela companhia, incluindo o campo de Tupi, no Pré-sal.
Além disso, projetos nas áreas de modernização dos parques de refino de combustíveis e de produção de fertilizantes ganharam destaque na projeção de investimentos da Petrobras para os próximos anos. O Planalto reforçou a diretriz de buscar a autossuficiência nos combustíveis e de diminuir a dependência da importação de fertilizantes.
O posicionamento do governo também saiu fortalecido com a ampliação de investimentos em renováveis. A proposta inicial da Petrobras, liderada por Prates e pelo diretor Sérgio Caetano, previa apenas a compra de empresas eólicas onshore e solares já em operação, com a intenção de apenas gerar caixa para a companhia, o que não garantiria novos investimentos e empregos, em especial no Nordeste do país.
A determinação do Conselho acabou seguindo a diretriz do presidente para as renováveis, garantindo que 80% desses investimentos sejam em novos projetos. Segundo fontes da Petrobras, a proposta inicial de Jean Paul Prates continha apenas investimentos dedicados a projetos de eólica offshore chamados de brownfield – com a compra de participação em empresas do exterior.
Prates insistia na aquisição de ativos de uma empresa escocesa, por exemplo. Com isso, tentava contrariar a determinação do governo de garantir investimentos no Brasil. Lula foi firme na defesa do desenvolvimento da indústria local. Ele quer garantir a nacionalização dessa nova fronteira tecnológica de produção de energia, insistindo na diretriz de geração de emprego e renda.
O governo tem demonstrado preocupação com a dependência externa de fertilizantes, uma vez que o insumo é fundamental a cadeia do agronegócio do Brasil. Segundo a apuração, o Planalto não ficou totalmente satisfeito em relação a questão, uma vez que não foram concluídos os estudos para a retomada de plantas no Paraná (ANSA), Três Lagoas (UFN3) e da Unigel. Prates continua sob pressão para concluir as análises ainda este ano.
Outro ponto de insatisfação ainda decorre do fato da Petrobras privilegiar a construção de navios para produção de petróleo e gás fora do Brasil. Prates pediu mais prazo para apresentar estudos para a retomada de investimentos nos estaleiros nacionais. Incomodado com o abandono da indústria que foi desenvolvida em seus dois primeiros mandatos, Lula fez da retomada da indústria naval uma das principais bandeiras de sua campanha.
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