Não basta ter ou alugar um imóvel para ser aceito na sociedade do Porto Brasil. Tem uma série de etiquetas importantes para ser bem visto, ganhar um bom dia e circular sem olhares.
Esqueça o tal do cooler. É proibido! É maraca. Coisa de farofeiro. Bebidas só em cervejeiras e adegas. Cooler só pode no Villa Imperial, afinal, em muquifo pode tudo.
Tem um carro do século passado que já fez muito sucesso, o vovorolla (Corolla). Hoje é motivo de piada. Tem que ser elétrico (Volvo ou GWM) ou se for fazendeiro uma Silverado.
Se for gastar na praça de alimentação, só é aceito cartão black. Aqueles pretinhos. Tem gente que compra o adesivo preto na internet para deixar o cartão com presença. Passar o débito é feio. Tem que ser no crédito.
Homens tem que usar camisas de linho e mulheres aqueles vestidos coloridos e grandes. Banho de piscina só para as crianças. Descer para a praia só idosos. A turma de 20 a 50 anos tem que circular de casa em casa. A bebida é vinho. Pelo rótulo, você sabe o grau de importância da pessoa.
Som alto é muito feio. É coisa de conjunto habitacional. Por mais que o rico goste de piseiro, deve colocar algo mais clean. No Porto Brasil mesmo, som não é bem-vindo. Já no Villa Imperial pode tudo, o bonito é mostrar a potência do som que comprou contrabandeado do Paraguai.
Fumar um charuto ao pôr do sol é chic. Mesmo que fique uma catinga horrível na vizinhança. Rico tem uns gostos diferentes. Aprendi com o tempo que rico gosta de comida seca quando recebem os amigos. Queijos, frios, castanhas, pistaches e amendoins. Muito melhor é casa de pobre com seus caldos, comida farta que deixam o bucho cheio.
Veranear no Porto Brasil é uma ciência.