A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também conhecida como bancada do agronegócio, cobrou nesta segunda-feira (6) um posicionamento "urgente" do Ministério da Educação e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre uma questão do Enem 2023, que associou o agronegócio à violência no campo e ao avanço do desmatamento.
A questão criticada pela FPA aponta um artigo publicado em 2021, na revista Élisée da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em que os autores questionam a “lógica do agronegócio”.
“No cerrado, o conhecimento local está sendo cada vez mais subordinado à lógica do agronegócio. De um lado, o capital impõe os conhecimentos biotecnológicos, como mecanismo de universalização de práticas agrícolas e de novas tecnologias, e de outro, o modelo capitalista subordina homens e mulheres à lógica do mercado. Assim, as águas, as sementes, os minerais, as terras (bens comuns) tornam-se propriedade privada. Além do mais, há outros fatores negativos, como a mecanização pesada, a ‘pragatização’ dos seres humanos e não humanos, a violência simbólica, a superexploração, as chuvas de veneno e a violência contra a pessoa”, diz a questão colocada para análise.
Segundo a bancada, a questão é de "cunho ideológico e sem critério científico ou acadêmico", e por isso deve ser anulada. "O ENEM é um exame de avaliação do conhecimento. As perguntas são mal formuladas, de comprovação unicamente ideológica e permite que o aluno marque qualquer resposta, dependendo do seu ponto de vista. Anulação já!", diz a FPA.
Em nota divulgada à imprensa, a bancada apontou cinco pontos críticos da questão, e entre eles, citou o "negacionismo científico contra um setor que, além de trazer a segurança alimentar ao Brasil e ao mundo, é massificação de mentiras". "É inacreditável o governo federal se utilizar de desinformação em prova aplicada para quase 4 milhões de alunos brasileiros que disputam uma vaga nas universidades do Brasil", critica a bancada.
Além da anulação das questões 89, 70 e 71 do ENEM 2023, a bancada apresentou um requerimento de convocação ao ministro da Educação, Camilo Santana, para que compareça a audiências na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Também pedem informações ao ministério sobre a banca organizadora do ENEM 2023 e referências bibliográficas utilizadas para a construção do exame.
"Este é o único país do globo em que o seu próprio governo federal propaga desinformação sobre a principal atividade econômica e de produção de riqueza, renda e empregos. A serviço dos brasileiros? Vincular crimes à atividade legal é informação?", questiona a bancada.
O Ministério da Educação ainda não se posicionou sobre as críticas apresentadas pela FPA.
Pedidos de convocação
O deputado federal Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) também protocolou, nesta segunda-feira (6), dois pedidos de convocação do ministro Camilo Santana, para que ele dê informações sobre as perguntas com viés ideológicos no Enem. O parlamentar cita questões que atacavam o capitalismo e o agronegócio.
"Vemos o Enem voltando a ser aquilo que já foi no passado, uma ferramenta de doutrinação ideológica e que em vez de se preocupar em avaliar o conhecimento técnico do candidato, preocupa-se em espalhar ideologia esquerdista", afirmou Bilynskyj.
Gazeta do Povo