O cenário na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, nesta sexta-feira, dia10, é de várias prateleiras vazias e caixas de livros espalhadas na principal unidade da empresa.
Um dia depois de a Justiça decretar a falência da Cultura, algumas editoras começaram a recolher seus títulos —o receio é que, se as lojas da empresa forem lacradas, elas tenham dificuldades em reaver seus estoques.
Entre as casas que foram buscar exemplares na livraria estão a JBC e a Companhia das Letras, que tinha um caminhão estacionado próximo.
Este jornal apurou que o plano da Companhia era recolher 15 mil exemplares da loja. A editora também teve que suspender planos de inauguração de um espaço infantil, previsto também para esta sexta-feira.
Desde o anúncio da falência, na noite desta quinta-feira (9), editores chegaram a receber ligações de representantes da Livraria Cultura tentando tranquilizá-los.
No Conjunto Nacional, alguns visitantes espiavam os títulos em busca de descontos, mas não havia sinal de nenhum saldão. Os vendedores da loja afirmavam que os livros que estavam nas estantes continuavam disponíveis para compra, sem data definida para encerramento.
Ao mesmo tempo, duas casas iam contra o movimento e inauguravam espaços na loja. Era o caso da Citadel e da Alta Books.
A falência da Cultura foi decretada pelo juiz Ralpho Waldo De Barros Monteiro Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
"Foi tudo uma surpresa. Vamos recorrer da decisão", diz o CEO da Livraria Cultura, Sérgio Herz. "Eu confio totalmente na recuperação judicial da empresa. Estamos crescendo. Comparando a janeiro do ano passado, a loja do Conjunto Nacional cresceu 60%. A de Porto Alegre, 15%. É um resultado bom."
O pedido de recuperação judicial foi apresentado em 2018, depois de uma crise que se estendia. Na ocasião, a Livraria Cultura declarou ter R$ 285,4 milhões em dívidas.
Com a decretação da falência, a administradora judicial fica liberada para lacrar as lojas da empresa. Depois, os ativos da empresa são inventariados e, sem seguida, leiloados para pagar os credores. Se a companhia recorrer, a Justiça pode suspender esse processo.
O mercado editorial acha que com a falência, fica ainda mais improvável receber o pagamento das dívidas –isso porque os editores não entram no topo da lista de prioridades. Antes deles, por exemplo, vêm as dívidas trabalhistas.
Folha de São Paulo