O Goldman Sachs e o Bank of America, dois dos maiores bancos do mundo, detêm, juntos, cerca de R$ 1,42 bilhão em créditos da Americanas. O valor foi apontado em uma nova lista de credores, divulgada pela varejista na noite da última sexta-feira.
As duas instituições financeiras têm contratos de swap com a Americanas, apontam, sendo que o Goldman Sachs detêm R$ 1,06 bilhão em créditos, enquanto o Bank of America teira R$ 363,2 milhões. Esse tipo de negócio representa um acordo entre duas partes para que troquem entre si fluxos de caixa baseados em um valor de referência, um prazo e outras condições e critérios preestabelecidos
Pela lista atualizada divulgada pela Americanas na sexta-feira, a empresa diz dever R$ 42,48 bilhões, descritos em documento obtido pela Bloomberg. No último balanço que veio a público, em 24 de janeiro, a empresa dizia ter R$ 41,2 bilhões em dívidas. O número total de credores também foi corrigido, saltando de 8 mil para 9.462.
Procurados pela Bloomberg, o Goldman Sachs não quis comentar. Já o Bank of America não retornou ao contato. A Americanas informou, em nota, que a retificação da lista é um direito da empresa e “indispensável para melhor refletir a realidade financeira da companhia”.
Relembre o caso
A Americanas entrou com pedido de recuperação judicial em 19 de janeiro depois de encontrar R$ 20 bilhões em “inconsistências contábeis” que aumentaram artificialmente os lucros e reduziram os passivos declarados pela metade. A empresa está envolvida em uma briga judicial com bancos, que acusam gestores e seus três principais acionistas, o 3G Capital, composto por Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles, de fraude. Em uma declaração de 22 de janeiro, os três bilionários disseram que não sabiam sobre as “inconsistências” contábeis.
Logo que a varejista conseguiu na Justiça a suspensão do pagamento das dívidas, o Bank of America e o Goldman Sachs entraram com petições separadas na Justiça contra a Americanas para tentar receber o valor dos swaps, citando processos judiciais que não especificavam o valor da dívida.
O Globo