Confesso que vivi para ler isso: Miriam Leitão alertar que "o ministro da Fazenda está sob ataque do PT".
Logo do PT, Miriam? Que coisa.
Leiam a íntegra do texto:
O ministro da Fazenda está sob ataque
A volta dos impostos sobre a gasolina, que deveria ser uma decisão tomada pelo ministro da Fazenda, ouvido o presidente da República, virou uma fonte de ataques do PT ao ministro Fernando Haddad.
O governo Lula está complicando uma decisão que deveria ser simples: os impostos devem incidir sobre a gasolina como sobre todos os outros bens. Mas a questão da reoneração está se transformando em uma forma de fritura do ministro da Fazenda. Ele está sendo esvaziado do seu poder pela maneira como o governo e o PT estão tratando sobre o assunto.
No final de semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann escreveu no Twitter que “antes de pensar em aumentar os combustíveis é preciso definir uma política de preços para a Petrobras”. Nada a ver uma coisa com a outra. São dois assuntos diferentes. Na verdade, qualquer política de preços que não seja cobrar o preço internacional da commodity significa manipular os preços. Disse que é 'penalizar o consumidor, gerar mais inflação e descumprir compromisso de campanha'.
Ela foi seguida por vários outros tweets de petistas criticando uma posição que todo mundo sabe que é a do ministro da Fazenda, já expressa publicamente, que o país não pode abrir mão de arrecadação, ainda mais sobre um combustível fóssil. Gleisi e outros petistas fizeram essa postagem depois de o número dois da Fazenda, Gabriel Galípolo, defender a volta dos impostos sobre combustíveis em entrevistas.
Essa não é uma decisão de partido, mas do ministro da Fazenda. Haddad vai olhar a questão da arrecadação, o equilíbrio das contas públicas, a distribuição justa de impostos. Além disso, a desoneração não beneficia a população mais pobre. É ele quem faz também a política anti-inflacionária. Portanto é tudo com Haddad.
A presidente do PT também escreveu: "impostos não são e nunca foram responsáveis pela explosão de preços de gasolina". Como todo mundo sabe, os impostos sobre combustíveis foram retirados no ano passado para beneficiar a campanha de Jair Bolsonaro. Ao escrever esta frase, Gleisi está concordando com a decisão tomada por Bolsonaro de fazer uma redução artificial dos preços dos combustíveis, eliminando os impostos, que foi feita unicamente para esse se beneficiar na eleição.
Se o processo de tomada de decisão de Lula for baseada sempre em disparos de rede social por parte de lideranças do PT, o presidente vai ficar toda vez com seus ministros sob ataque. Desta vez, é o ministro que cuida da economia.
A decisão poderia ter sido tomada nesses dois meses com calma, ficou para o último dia, mas o processo decisório com os disparos de Twitter tenta tornar fato consumado uma decisão que ainda será tomada hoje. Lula se reúne hoje com o ministro Haddad, o presidente da Petrobras e o chefe da Casa Civil.
No início do ano, Haddad disse que queria voltar com os impostos, e a presidente do PT deu uma entrevista dizendo que não haveria reoneração. Acabou sendo adiado por dois meses e a MP vence agora na quarta-feira, dia 1. Ele se enfraqueceu. Vamos ver hoje o estrago que fará o fogo amigo sobre Haddad.
Miriam Leitão - O Globo