O ministro do STF, Alexandre de Moraes, tomou uma decisão que ameaça diretamente o sigilo da fonte jornalística. Ele determinou que as emissoras de notícias via cabo CNN Brasil e GloboNews e a Veja entregue o conteúdo completo gravado das entrevistas que fez com o senador Marcos do Val.
A desenvolvida também foi imposta à empresa Meta, uma big tech que é proprietária das redes sociais Facebook e Instagram. No caso do Instagram, a ordem é para que “encaminhe aos autos” o “inteiro teor da live realizada pelo senador Marcos do Val em seu perfil no Instagram (@marcosdoval), na madrugada do dia 2/2/2023” .
Marcos do Val prestou depoimento à Polícia Federal sobre uma suposta tentativa de tramar um golpe de Estado junto com integrantes e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Moraes, “uma 4ª versão dos fatos por ele [do Val] divulgados” mostraria que há várias narrativas “entre si antagônicas” . Por essa razão, argumenta o ministro, torna-se necessário “diligências para o seu completo esclarecimento [do que se passou], bem como para a apuração dos crimes de falso testemunho (art. 342 do Código Penal), denúncia caluniosa (art. 339 do Código Penal) e coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal)” .
Por essa razão, Moraes exige que os veículos de comunicação liberem a íntegra das entrevistas que fizeram com Marcos do Val para comparar com o que o senador disse à PF. O documento passou, ainda, por uma revisão – o texto inicial prévio multa aos veículos em caso de não cumprimento da expansão de R$ 100.000,00 por dia. O trecho foi retirado da versão final.